Brasília, 4 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso tem um prazo curto para indicar o substituto de Clóvis Carvalho no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Os políticos aliados apostam que se até segunda-feira não for indicado um novo nome para o cargo, começará uma grande pressão dos partidos da base para ocupar esse espaço no governo.
Dentro do ninho tucano o nome mais forte para ocupar o ministério vago é o do atual presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andrea Calabi. Ele chegou a ser cogitado durante a reforma ministerial para ocupar a pasta do Desenvolvimento, mas acabou não emplacando porque o presidente Fernando Henrique precisava do cargo para colocar Clóvis Carvalho.
A favor de Calabi pesa o fato dele ser ligado ao ministro da Fazenda, Pedro Malan. Outro ponto positivo para sua indicação é o fato dele ter um bom trânsito com o setor produtivo, que melhorou bastante depois do curto período em que está presidindo o BNDES.
"Calabi sabe qual é o espaço para o desenvolvimento numa política de estabilidade", analisa um cacique tucano com bom trânsito no Palácio do Planalto. "Ele tem uma formulação para o setor."
Além disso, presidente do BNDES também tem um relacionamento eficiente com o PSDB, sendo admirado por vários setores do partido. O Ministério do Desenvolvimento é visto pelos tucanos como a principal alternativa do segundo mandato de Fernando Henrique para apresentar a sua face social. Exatamente por causa disso, Calabi foi colocado propositalmente no comando do BNDES para ser um espécie de uma opção viável ao nome de Clóvis.
Pratini - O nome do ministro da Agricultura, Pratini de Moraes (PPB), também está sendo cogitado para a substituição de Carvalho. Mas enfrenta resistências entre pessoas próximas do presidente. Ex-ministro do regime militar, Pratini sofre restrições nos setores mais democráticos do governo.
Só a sua nomeação para a pasta da Agricultura causou uma grande reação no tucanato, o que o governo espera não repetir. Tanto, que essa foi uma das razões da saída do senador Artur da Távola (RJ) do PSDB para o PPS. Pelo mesmo motivo o nome do deputado Delfim Netto (PPB-SP) também não ganhou muito fôlego, apesar de ter sido especulado nesse dois dias dentro do Planalto.
Imediata - Hoje, os aliados cobravam do presidente uma substituição imediata do ministro do Desenvolvimento. "Essa é uma questão que precisa ser resolvida até segunda-feira", cobra o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). "Quando mais rápido ele resolver esse problema, melhor, já que ficará livre de pressões", observou Bornhausen.
A mesma análise é feita pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS). "A escolha do novo nome não pode passar desse feriado", argumenta Simon. "Caso contrário, irá começar uma briga dos aliados pelo espaço político."

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