Brasília, 10 (AE) - O governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), e o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), avaliam que a baixa nos índices de avaliação do governo é cíclica e que os números voltarão a subir assim que o País retomar o crescimento. Hoje, o presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu os dois no Palácio do Alvorada para avaliar a crise econômica.
Depois do almoço com Fernando Henrique, Tasso fez uma previsão positiva para o País, a partir do próximo ano. "Há expectativa é que o quadro é melhor hoje do que no ano passado"
disse Jereissati. Segundo ele, em 1998 o Brasil vivia com uma âncora cambial que exigia uma taxa de juros elevada e ao mesmo tempo impedia um crescimento da economia superior a 1% ou 2% do Produto Interno Bruto (PIB). "Mas agora a expectativa de crescimento real a partir do próximo ano é de 6% ou 7%; e esse é o sentimento do presidente", disse Tasso Jereissati. Para esse ano a expectativa é de fechar o ano com uma taxa negativa.
Na opinião do senador Bornhausen, esse não é o momento para o presidente ficar preocupado com a popularidade. "Assim que estabilizar a nova política econômica do governo a popularidade será retomada gradativamente", avaliou o pefelista. Para ele, muito mais importante do que os números que mostram queda de popularidade é a credibilidade do presidente Fernando Henrique. "E credibilidade o presidente não perdeu", disse. Segundo ele, neste momento é preciso tomar medidas que prejudicam os índices de pesquisa do presidente. "Ele está consciente dos seus desafios."
Críticas - O governador cearense cobrou resultados imediatos para contornar a atual conjuntura econômica. "Não temos que cruzar os braços". Para ele, é preciso alcançar as metas acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) o mais rápido possível. "Quando mais rápido o dólar cair, melhor as chances de evitar um crescimento da inflação", disse Tasso Jereissati. Mesmo assim ele manteve uma posição crítica em relação ao FMI. "Temos que ter muito cuidado na relação com o FMI, apesar de ele ser importante para o País."
Segundo Tasso, o Brasil não pode cair na preocupação de ficar exclusivamente aguardando o mercado financeiro internacional. "Passamos muito tempo só preocupados com o mercado. Agora, precisamos agradar as forças internas e o mercado produtivo, por meio de uma política industrial de geração de emprego."
Na sua opinião, com o lastro do FMI será possível a retomada da volta de dólares ao País e o governo não precisará mais gastar reservas cambiais. Para o governador tucano, a previsão de o dólar chegar ao final do ano em R$ 1,70 e a taxa de inflação em 16,8% é realista. "Mas depois desse ano poderemos ter um período longo de crescimento."

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