Alia protesta contra queda na qualidade do atendimento
Silvana Leão
De Londrina
Um grupo de aproximadamente 15 pessoas ligadas à Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia) aproveitou o Dia Mundial de Combate à Aids para fazer manifestação ontem no Calçadão de Londrina, alertando a população para os problemas enfrentados pelos portadores do vírus HIV. Os manifestantes utilizaram cartazes, apitos e nariz de palhaço. Também foram distribuídos folhetos informativos.
O movimento terminou em reunião com o coordenador do Programa Municipal de Controle e Prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST/Aids), Luiz Toshio Ueda, no Centro Regional de Especialidades. Roni Lima, coordenador geral da Alia, justificou o uso do nariz de plástico vermelho: Estamos sendo palhaços da administração pública. Ainda sofremos discriminação, falta de respeito a nossos direitos e é nosso papel lutar contra isso.
A coordenadora do Projeto Reagir (que recentemente foi integrado à Alia), Silvana Gomes dos Santos, explicou que o protesto foi um alerta para o desmantelamento a que vêm sendo submetidos os serviços já implantados no município para assistência e controle da doença, como o próprio Centro de Referência e o não-funcionamento do hospital-dia no Hospital Universitário (HU), que já tem toda a estrutura disponível.
A carta distribuída ontem lembra que Londrina está na iminência de perder o empréstimo de R$ 322.804,20 do Banco Mundial, através do Programa Orçamentário Anual (POA), devido à desestruturação do Programa Municipal de DST/Aids. Luiz Toshio Ueda admitiu que baixou a qualidade dos serviços prestados no Centro de Referência, que é de responsabilidade do Estado e Autarquia Municipal de Saúde, por causa do aumento da demanda e diminuição no número de funcionários, em função de remanejamentos, aposentadorias e pedidos de demissão. Ele lembrou que o Estado não faz contratação na Saúde Pública desde 1990.
Quanto ao risco de perder o empréstimo do Banco Mundial, ele afirmou que todos os esforços vêm sendo feitos para conseguir cumprir o prazo, que é até 31 de março de 2000. Segundo ele, além da primeira parte dos recursos (cerca de R$ 80 mil) ter sido atrasada, foram embutidas novas regras no convênio que dificultaram a utilização do dinheiro.
O superintendente do Hospital Universitário (HU), Cláudio Camacho, confirmou que o hospital-dia está pronto há quase um ano, mas falta contratar funcionários. Segundo ele, houve em torno de 70 pedidos de demissão e aposentadoria no HU, nos últimos meses. E o Estado proibiu as contratações, em função da crise econômica.
Camacho explicou que a situação está prestes a se regularizar e o hospital deverá enfim entrar em funcionamento no início do ano. Já foi realizado concurso público em novembro. O resultado sai dia 10 e em janeiro deverão ser iniciados os exames pré-admissionais. Serão contratados 10 funcionários.
O hospital funcionará até 17 horas. Os pacientes são internados para receber medicamentos e fazer exames. O hospital tem estrutura para abrigar cinco crianças e cinco adultos. Para a construção, foram utilizados R$ 28.476,00 do próprio hospital. O Ministério da Saúde entrou com R$ 34.874,00 em equipamentos.





