Algas típicas de águas poluídas provocaram mancha na Lagoa
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segunda-feira, 20 de março de 2000
Por Roberta Pennafort, especial para a ae 
Rio, 21 (AE) - Amostras coletadas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente mostraram que a mancha observada nas águas da Lagoa Rodrigo de Freitas há uma semana foi provocada por algas típicas de ambientes poluídos por esgoto. De acordo com o laudo da Secretaria e da empresa Tecnologia e Meio Ambiente (Tecma), a coloração avermelhada no espelho dágua foi provocado pelo fenônemo conhecido como "maré vermelha", que nunca havia ocorrido na lagoa.
A coleta - feita no dia 14, um dia depois do aparecimento da mancha - mostrou grande quantidade de fitoplâncton, da espécie Cryptomonas, uma alga típica de ambientes aquáticos poluídos. "Essa alga, que se desenvolve em ambientes ricos em nutrientes, já existia na Lagoa, mas em pequena quantidade", disse o secretário de Meio Ambiente, Maurício Lobo. "Com o grande despejo de esgoto, a Cryptomonas se alimentou mais rápido que as demais e proliferou", explicou.
Mortandade - Para Lobo, o resultado comprova que a mortandade de mais de 130 toneladas de peixes na Lagoa, no início do mês, foi mesmo provocada pelo esgoto lançado sem tratamento. Quando a mancha surgiu, o secretário atribuiu a aparição das algas ao alto índice de coliformes fecais detectado na ocasião - 900 vezes maior do que o limite estabelecido pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), que é de mil coliformes por 100 mililitros dágua.
A última análise de colimetria feita pela secretaria indicou que os índices continuam acima do padrão. O trecho mais poluído, na altura do Corte do Cantagalo, apresentou 240 mil coliformes por 100 mililitros. O teste de índice de oxigênio dissolvido coloca a mesma área como a mais crítica: foram encontrados apenas 3,2 miligramas de oxigênio por litro, quando o padrão é de 7 miligramas. Com o surgimento da maré vermelha, ambientalistas temeram que mais peixes morresem por falta de oxigênio, mas não houve nova mortandade.
Recuperação - A coordenadora de Despoluição da secretaria, Carmen Lucariny, acredita que a lagoa esteja se recuperando, porém lentamente."As perspectivas são boas, porque
com o fim do verão, as águas vão ficar mais frias e os microorganismos não vão proliferar tão rapidamente", explicou. "Atualmente, a Lagoa está próxima de sua condição usual, mas longe do ideal."
Tubulação - Hoje pela manhã, o rompimento de uma tubulação da Companhia Estadual de águas e Esgotos (Cedae) na Avenida Borges de Medeiros, próxima à Lagoa, levou esgoto diretamente para a rede de águas pluviais. A Cedae informou que fez manobras na rede para que cessasse o vazamento ainda pela manhã.


