Belo Horizonte, 11 (AE) - O cantor Alexandre Pires, líder do grupo de pagode Só Pra Contariar (SPC), voltou a negar hoje, durante depoimento ao juiz da 1ª Vara Criminal, José Luiz de Moura Faleiros, responsabilidade no acidente de trânsito que matou o vendedor José Alves Sobrinho, de 36 anos, no início de fevereiro. O depoimento do músico, no Fórum de Uberlândia, Triângulo Mineiro, durou cerca de 1h40. Cerca de 200 pessoas, entre fãs e representantes de entidades comunitárias ajudadas pelo acusado, fizeram vigília na frente do fórum e aplaudiram o cantor, na chegada e na saída. do local.
Alexandre Pires foi denunciado por homicídio doloso (quando há intenção) duplamente qualificado, pelo Ministério Público. A exemplo do que fez no inquérito policial, segundo Faleiros, o vocalista afirmou que o motociclista trafegava no meio da pista da avenida, quando o acidente aconteceu. O vedenor Alves, na versão do acusado, teria feito um ziguezague no momento em que ele tentava ultrapassá-lo com seu jeep Cherokee. "Ele ponderou que quem deu causa ao acidente foi a vítima", afirmou o juiz. Bebida - O líder do grupo de pagode, que deixou o local da batida antes da chegada da Polícia Militar alegando estar psicologicamente abaldo, também rebateu informações de que estaria embrigado. De acordo com o juiz, Alexandre Pires admitiu ter passado a noite em uma boate de Uberlândia, da qual saiu pouco antes do acidente, mas assegurou que só bebeu "três ou quatro latas de bebida energética", e não uísque ou vodka, como disseram duas testemunhas.
O cantor, que, conforme relatório da perícia técnica, dirigia em alta velocidade, reconheceu que conduzia o veículo acima do limite permitido para a avenida, de 60 quilômetros por hora. Após o depoimento, o músico foi assediado pelos fãs. No local, também estavam representantes do Movimento Negro de Uberlândia, que acusam o promotor Sylvio Fausto de Oliveira Neto de racista. Eles alegam que apenas por ser negro o cantor foi denunciado por crime doloso e não culposo. Pela mesma razão, o promotor teria pedido a prisão preventiva do cantor, negada pelo juiz, afirma a entidade.
Testemunhas - Na saída, dizendo estar confiante na Justiça, Alexandre Pires pediu aos jornalistas que o questionassem sobre o novo CD do Só Pra Contrariar, e não sobre o processo. Segundo o juiz Faleiros, no dia 28 serão ouvidas oito testemunhas arroladas pela acusação. As testemunhas de defesa, ainda não indicadas pelo advogado de Alexandre Pires, Antônio Caixeta, prestam depoimento no dia 19 de maio. Faleiros calcula que o julgamento deve acontecer em no máximo dois meses.
O cantor pode ir a júri popular, caso o juiz acolha, após ouvir as testemunhas, a denúncia de homicídio duplamente qualificado. As outras três possibilidades são julgamento sem júri, por homicídio culposo, impronunciamento ou absolvição por falta de provas. O farmacêutico Valdemar Ferreira Rocha e o tio de Alexandre, Eurípedes Ferreira de Jesus, denunciados por tráfico de drogas no mesmo caso - os dois são acusados de providenciar calmantes para o cantor, após o acidente, sem receita médica - tiveram os depoimentos suspensos graças a liminar obtida por Caixeta no Tribunal de Justiça de Minas.

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