Belo Horizonte, 24 (AE) - O cantor Alexandre Pires, líder do grupo de pagode Só Pra Contrariar (SPC), depôs hoje pela manhã no inquérito que investiga o acidente no qual morreu o vendedor José Ales Sobrinho, de 36 anos, em Uberlândia. Ele falou ao delegado de Trânsito de Uberlândia, Marco Antônio Noronha.
Alexandre é suspeito de ter provocado o acidente no dia 6, estar em alta velocidade e embriagado, além de omitido socorro à vítima, já que deixou o local antes da chegada da polícia. O cantor negou todas as acusações. Disse ainda que a vítima teria feito um ziguezague com a moto na sua frente, o que teria tornado impossível evitar a colisão.
De acordo com o inquérito, por volta das 7h30 da manhã do dia 6 Alexandre Pires, que acabara de sair de uma boate, dirigia seu jeep Cherokee por uma avenida, perto do aeroporto de Uberlândia. Depois de uma curva, ele atingiu a traseira de uma moto pilotada por Sobrinho. O vendedor foi levado em estado grave para o Hospital de Clínicas da cidade, onde morreu três dias depois.
Alegando estar abalado psicologicamente, o cantor deixou a cena do acidente, no carro de uma amiga, sem que policiais do Batalhão de Trânsito tivessem chegado. Ele não se apresentou desde então, escapando do teste do bafômetro e de outros exames que pudessem confirmar ou não a ingestão de bebida alcoólica.
Testemunhas ouvidas pelo delegado nas últimas duas semanas afirmaram que o músico tomou uísque na boate. Também o acusaram de estar correndo mais do que o permitido na hora do acidente. Em seu depoimento, que durou 1h35, de acordo com o delegado, Alexandre, acompanhado de assessores e familiares, garantiu que só tomou "bebidas energéticas" na casa noturna Coliseu.
O copo, no qual colocou pedras de gelo, seria semelhante ao usado para beber uísque. Ele disse que ficou no local entre as 2h e 5h. De lá, seguiu para o apartamento do irmão e baterista do SPC, Fernando Pires. Depois, iria para a casa dos pais, no bairro Mansões do Aeroporto, onde pegaria objetos pessoais para embarcar para São Paulo. A colisão aconteceu neste trajeto.
Aplausos - "Ele nos disse que o vendedor estava nem à sua frente e que, ao tentar ultrapassá-lo, a moto fez um pequeno ziguezague na pista", relatou o policial. "Desta forma, ele não teria conseguido evitar o choque", acrescentou.
Ao sair da delegacia, o cantor, famoso em Uberlândia, sua terra natal, por fazer doações, campanhas e shows para hospitais e entidades de assistência social, foi aplaudido por cerca de 50 integrantes dessas instituições."Agradeço muito, estarei à disposição da Justiça assim que for necessário e que ela seja feita", limitou-se a dizer o cantor. Noronha informou que os laudos técnicos sobre o acidente serão divulgados amanhã (25). Adiantou, porém, que a perícia não conseguiu calcular a velocidade do veículo do cantor, pois não havia marcas de pneus na pista. O inquérito deve ser concluído até o dia 10 de março. Faltam os depoimentos de dois médicos que atenderam o cantor, da amiga que lhe deu carona, após o acidente, e de um homem que também o teria visto na boate, bebendo uísque. O líder do SPC pode ser indiciado por homicídio culposo, com pena de até seis anos.

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