Alerta para mudanças climáticas
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terça-feira, 27 de setembro de 2005
Silvana Guaiume<br>Agência Estado 
Campinas, SP- O economista australiano Warwick McKibbin defendeu ontem, em Campinas, que a abordagem sobre o mercado de carbono do Protocolo de Kyoto não é a mais correta e sugeriu a cobrança pela emissão de carbono na atmosfera, controladas individualmente pelos países por meio de instituições que teriam direito de propriedade sobre essas emissões. O teto para emissões é um objetivo a ser alcançado no longo prazo, disse McKibbin, e, no curto prazo, as instituições controlariam o preço do carbono.
O economista participou da palestra Políticas de Mudanças Climáticas pós Kyoto. Pouco antes, falou à imprensa junto com o físico alemão Klaus Heilonth, defensor do Protocolo, que fará palestra amanhã.
Segundo McKibbin, a China desenvolveu um trabalho interessante, com a intervenção direta do governo, de atribuir valor de mercado à emissão de dióxido de enxofre. Com isso, as empresas puderam escolher entre reduzir a emissão ou pagar por ela. Ele reconheceu que o conceito é parecido com o de crédito de carbono definido no Protocolo de Kyoto, que permite a países industrializados adquirir os créditos de carbono dos países em desenvolvimento.
''A abordagem do protocolo não é correta. É preciso usar o mercado de forma mais esperta'', insistiu o economista. Ele defendeu que os problemas ambientais precisam ter valor para que as sociedades lidem com eles de maneira adequada. Acrescentou que a cobrança pela emissão de carbono vai estimular políticas de desenvolvimento de fontes alternativas de energia. As decisões, disse, caberiam aos governos e o mercado definiria a maneira de administrar o risco.
De acordo com o economista, os países que aderiram ao Protocolo têm sete anos para se adequar, enquanto os investimentos em energia são planejados para 30, 40 anos. ''Temos de esquecer a idéia de um alvo em dez anos e reconhecer que os custos têm importância'', argumentou, afirmando que seria simples adaptar o Protocolo à sua proposta.
McKibbin alegou que é necessário cautela ao atribuir desastres naturais recentes, como os furacões na costa norte-americana e as ondas de calor na Europa, ao aquecimento global. Heilonth discordou prontamente e afirmou que o homem tem pelo menos 50% de culpa por esses desastres. ''Hoje os danos causados por esse 1% podem ser pagos. Mas, nos piores casos, poderá atingir 60%. As mudanças climáticas estão afetando cada país de forma específica'', alertou o físico.


