Em agosto de 2007, a professora Cláudia Pedroso, 44, deu o primeiro passo para a realização de um sonho antigo. Inscreveu-se em um mestrado na área de literatura, sua grande paixão. O momento parecia perfeito. Estável profissionalmente e com os dois filhos criados, ela ainda ganhou uma bolsa parcial para ir a fundo no livro Grande Sertão: Veredas, o clássico de Guimarães Rosa.

Mas a empolgação inicial foi dando lugar à ansiedade. Principalmente quando Cláudia começou a escrever a dissertação. Sem o contato contínuo com os professores, a mestranda se viu sozinha - e insegura. Acostumada a exigir demais de si mesma, ela ainda se sentia culpada por não poder estar com os pais, idosos e doentes, que moram em São Paulo. Até que um dia percebeu que ''alguma coisa estava muito estranha''.

Sentada à escrivaninha de casa, começou a ter dores na nuca, dormência nos membros, enjôo, vista embaçada, pressão alta. Correu para o hospital. Não demorou muito e a professora simplesmente não conseguiu mais dar aulas. Foi afastada de algumas atividades e procurou uma terapeuta. Diagnóstico: estresse.

Casos como o de Cláudia são cada vez mais recorrentes no Brasil, onde o mercado de trabalho vem se modernizando e exigindo aperfeiçoamento permanente. Atento ao fenômeno, o psicólogo e professor da PUC-PR Cloves Amorim desenvolveu uma pesquisa sobre o estresse na pós-graduação (especializações, mestrados, doutorados e afins). Seu foco foi um curso de especialização em enfermagem, mas as informações apuradas são de interesse geral.

Segundo Amorim, há uma série de fatores que potencializam o estresse nessa situação: cumprimento de prazos, cancelamentos de aulas, baixa qualidade de alguns docentes, trabalhos em equipe, muitos livros para ler, materiais didáticos nem sempre disponíveis, mensalidades caras, etc. Mas, acima de tudo, está o acúmulo de tarefas. Principalmente entre as mulheres, que se desdobram entre o emprego (às vezes mais de um), a pós-graduação e os afazeres domésticos - numa jornada tripla, às vezes quadrupla.

''Essas pessoas têm seu tempo de ócio, lazer e convívio familiar radicalmente diminuídos. E isso pode causar estresse de vários graus de intensidade'', explica o psicólogo. Ele ainda alerta para as consequências do fenômeno. ''Se não cuidado, o problema pode evoluir para a depressão e até para um esgotamento'', alerta o psicólogo.

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