Poznan, Polônia - A comunidade internacional foi alertada ontem, na abertura da Conferência da ONU sobre a mudança climática em Poznan (oeste da Polônia), de que tem apenas um ano para chegar a um consenso na luta contra um aquecimento fatal do planeta. Um apelo foi lançado para concluir, até o final de 2009 em Copenhague, um acordo global ambicioso para conter a mudança climática, apesar das dificuldades crescentes decorrentes da crise financeira.
Diante de cerca de 9 mil delegados de 185 países reunidos na 14 Conferência das Nações Unidas sobre a mudança climática, o presidente dos trabalhos e anfitrião do encontro, o ministro polonês do Meio Ambiente, Maciej Nowicki, considerou que a ''humanidade com seu comportamento já empurrou o sistema do planeta Terra a seus limites''. ''Continuar assim provocaria ameaças de uma intensidade jamais vista: enormes secas e inundações, ciclones devastadores, pandemia de doenças tropicais e até conflitos armados e migrações sem precedentes'', disse, pedindo aos negociadores que não ''cedam a interesses particulares obscuros neste momento em que devemos modificar a direção perigosa que a humanidade tomou''.
O presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em inglês, o Prêmio Nobel da Paz 2007 Rajendra Pachauri, também lembrou os graves impactos de uma ''inação'' eventual: ''de 4,3 a 6,9 bilhões de pessoas a mais, vivendo nas grandes bacias fluviais, correriam o risco de ser afetadas pelas secas, quase a maioria da humanidade''.
Em dezembro de 2007, a conferência de Bali elaborou um ''mapa do caminho'' que deveria levar os 192 Estados assinantes da Convenção da ONU sobre as mudanças climáticas (CNNUCC) à conclusão, no fim de 2009, de novas medidas contra o efeito estufa. Os compromissos foram reforçados e ampliados para incluir os Estados Unidos e as grandes economias emergentes, entre elas a China, que se tornou o primeiro poluidor mundial.

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