Londrina - No ano passado, 67.011 paranaenses que durante a sua existência devem ter brincado, dançado, amado, chorado e vivido tantas outras experiências morreram. São pessoas que foram, em sua maioria, vítimas da violência, de doenças ou até mesmo do próprio estilo de vida.
Segundo levantamento feito no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) da Secretaria de Saúde (Sesa), as doenças do aparelho circulatório foram as que mais mataram os paranaenses no ano passado. No total, 19.786 foram vítimas delas. As principais são o acidente vascular cerebral (AVC) e infarto do miocárdio, que é um músculo do coração que assegura a circulação sanguínea.
O segundo motivo mais recorrente de morte no Paraná são tumores e cânceres, os quais mataram 11.929 pessoas, e o terceiro são causas externas, principalmente homicídios e acidentes de trânsito, que totalizaram 9.027 óbitos.
De acordo com o neurologista Damacio Ramon Kaimen Maciel, há dois tipos de AVC: isquêmico e hemorrágico. Os AVCs e doenças relacionadas a eles mataram 8.962 pessoas no Estado. Segundo Maciel, o mais comum é o isquêmico, que está relacionado à falta de sangue no cérebro. Já no hemorrágico, ocorre a ruptura de vasos sanguíneos cerebrais. ''Oitenta e cinco por cento dos AVCs são isquêmicos e 15%, hemorrágicos'', aponta o neurologista.
No caso do isquêmico, como falta sangue no cérebro, por conta de um entupimento de artéria, por exemplo, neurônios morrem. ''O sangue carrega oxigênio e glicose, portanto alimento e energia, sem isso as células morrem'', explica. O corpo humano é como uma cidade, as artérias são avenidas e o sangue, os carros que transportam oxigênio para as pessoas, que seriam as células. Quando um acidente gera um engarrafamento que impede a passagem do sangue, as células começam a morrer, explica o médico.
No AVC hemorrágico, o acúmulo de sangue causado pela ruptura de vasos sanguíneos comprime o cérebro.''Neurônios estão em sofrimento, sem função, porém quando o sangue volta a circular normalmente o neurônio pode se tornar viável'', explica .
Essa diferença entre AVCs se reflete na taxa de mortalidade de cada um deles e também nas sequelas que deixam. Enquanto o AVC isquêmico é menos mortal, mas mesmo assim mata cerca de 30% das vítimas, ele deixa mais sequelas, como dificuldade na fala e locomoção, conforme o neurologista.
''No AVC hemorrágico 20% das vítimas morrem antes de receber atendimento médico. Outras 30% morrem no hospital por conta de complicações. No entanto, aqueles que sobrevivem, à medida que desincha a cabeça, têm o fluxo sanguíneo normalizado e os neurônios voltam a funcionar. É como um milagre, em dois meses a pessoa está normal como antes do AVC'', conta.
Por outro lado, o neurologista informa que ''O AVC isquêmico é um dos principais motivos que torna pessoas maiores de 40 anos incapacitadas.''
As principais causas de AVCs são hipertensão, diabetes, fumo, alterações nutricionais e metabólicas que levam ao enrijecimento de artérias. ''A parede da artéria é lisa para que o sangue flua. Quando enrijece, começa a gerar atrito, então acumula e forma placas'', explicou neurologista.
O infarto do miocárdio e doença relacionadas ao infarto mataram 10.738 pessoas no Paraná no ano passado. A causa e os fatores de risco que podem ocasionar um infarto são semelhantes aos do AVC. De acordo com o cardiologista, o infarto acontece quando a artéria coronária é obstruída.
Segundo ele, 40% das pessoas que sofrem um infarto morrem, ''30% antes de chegar no hospital e 10% depois''. Conforme o médico, o stress tem sido um dos grandes motivadores do infarto. ''É o estilo de vida atual e não tem classe social. A pessoa trabalha, fica sujeita à poluição sonora, audiovisual, se alimenta mal'', relaciona.

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