Alérgicos enfrentam falta de especialistas
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sexta-feira, 27 de agosto de 2004
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Trinta por cento da população têm algum tipo de alergia, mas a maioria não não é tratada adequadamente pois não há especialistas suficientes na área. No Brasil, a relação é de 1,5 mil profissionais para 51 milhões de pessoas com algum tipo de alergia. No Paraná, são apenas 55 médicos da área para aproximadamente 2,8 milhões de alérgicos. O resultado dessa desproporção é que muitas pessoas acabam tratando de doenças como a rinite alérgica, por exemplo, dentro de outras especialidades da medicina como a otorrinolaringologia, quando deveriam procurar um especialista em alergia.
Segundo a presidente da Sociedade Brasileira Alergia e Imunologia (SBAI)/regional Paraná, Elizabeth Maria Mercer Mourão, um dos motivos é a ausência da especialização dentro da academia de medicina. ''Há muito desconhecimento, mesmo entre os médicos, sobre a alergia'', constata. Por esse motivo, a SBAI está realizando em Curitiba a VIII Jornada e 1º Curso de Imersão em Alergia e Imunologia.
Dirigido a especialistas na área, e outros profissionais afim, como dermatologistas, otorrinolaringologistas e pneumologistas, os eventos abordaram temas como asma, rinite alérgica, urticária, eczemas, alergia alimentar, conjuntivite alérgica, os testes alérgicos, inflamações alérgicas, tosse, alergias respiratórias e de pele.
''Se você tem refluxo do esôfago e for a um gastrocirurgião, ele vai recomendar a cirurgia, mas se for a um gastroclínico, ele vai tentar tratar com medicamentos. O mesmo acontece no caso da rinite. Um otorrino, que é um cirurgião, vai querer operar e o especialista em alergia vai fazer um tratamento'', diz.
De acordo com Elizabeth, as alergias em geral não têm cura. O que existem são vacinas hipoalergênicas que reduzem alguns efeitos. A função do profissional é descobrir as causas, prescrever medicação para o processo inflamatório e buscar alternativas que melhorem a qualidade de vida do paciente. ''O objetivo não é só tratar a crise, mas descobrir o porquê da crise'', explica.
A rinite alérgica é o tipo de alergia mais comum, em especial as causadas por poeira e ácaros. Nos estados do Sul, é comum também a rinite sazonal, que ocorre na primavera, causada pelo pólen das flores. Outro tipo de grande incidência são as urticárias, que causam coceira, aparecimento de bolas vermelhas, eczemas. ''As causas podem ser alimentares, físicas ou uma dermatite de contato, como acontece no caso de pessoas que têm alergia quando usam brinco'', explica.
Ela chama atenção especial para a dermatite atópica, que causa vermelhões e grosseirões na pele de crianças, e que normalmente são uma manifestação de alergia ao leite de vaca, ovos, trigo, entre outros. ''Hoje, sabe-se que essa alergia precoce tem uma relação com a rinite alérgica. 50% dessas crianças vão desenvolver a rinite'', alerta. Outra descoberta recente dá conta de que 40% das pessoas que têm rinite alérgica podem se tornar asmáticos.


