As manifestações alérgicas alimentares são reduzidas em aproximadamente 85% das crianças entre três e cinco anos de idade. Mas, essa afirmativa não se confirma para todos tipos de alimentos. Para alguns alérgenos, a situação é irreversível.
Hoje, estima-se que as reações alimentares de causas alérgicas acometem 8% das crianças e 3% dos adultos no Brasil. Dentre os tipos de alergia, é a primeira no ranking e pode comprometer o desenvolvimento da criança e mesmo causar a sua morte. Os alimentos desencadeantes de alergia alimentar variam de acordo com a idade de exposição e com os costumes regionais, entre outros fatores.
''A constatação de que as crianças alérgicas a ovos, leite de vaca, trigo e soja têm redução no grau de hipersensibilidade a partir dos três anos de idade é muito satisfatória. Em contrapartida, é preciso alertar que isso não acontece com a mesma frequência para aqueles que têm alergia ao amendoim, nozes, peixe, e camarão. Os sintomas decorrentes de hipersensibilidade a esses alimentos dificilmente desaparecem. Essa é uma informação importante'', afirma Dirceu Solé, Vice-Presidente da ASBAI.
O que determina a reação alérgica é a formação de anticorpos contra proteínas constituintes naturais do alimento. A presença deste anticorpo pode ser identificada por meio de testes cutâneos e também através de exames de sangue afirma Dr. Luiz Antonio Bernd, Diretor Científico da ASBAI.
Segundo ele, em alguns casos, principalmente, nas crianças, a exclusão rigorosa do alimento pode promover a diminuição da alergia a ele. O tratamento deve ser individualizado. O alimento deve permanecer suspenso por prazo mínimo de seis meses, a depender das manifestações clínicas. Após este período, se o paciente estiver bem e controlado, a reintrodução do alimento envolvido poderá ser realizada, sempre sob supervisão do alergista, tomando como base os sintomas previamente manifestos.
Se o paciente permanecer assintomático após ingestão do alimento, ele poderá ser liberado. Caso ocorra qualquer sintoma, a dieta de eliminação deve ser retomada. A presença de reação alérgica grave, como a anafilaxia ao amendoin, contra-indica esta reintrodução. Nos pacientes altamente sensibilizados, a presença de quantidades mínimas do alimento pode desencadear reação extrema gravidade.

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