àleo vaza durante resgate de balsa no Rio Pará
àleo vaza durante resgate de balsa no Rio Pará5/Mar, 17:11 Por Carlos Mendes Belém, 5 (AE) - O óleo que estava armazenado na balsa Miss Rondônia, naufragada no Rio Pará há 31 dias, começou a vazar desde a madrugada de sábado, durante a operação para tentar fazer a embarcação flutuar com 400 mil litros de combustível. O vazamento foi omitido pela direção da Texaco, que limitou-se a informar, na manhã de sábado, que a operação de resgate estava suspensa devido a uma fissura na carcaça da bomba que retirava água dos tanques para fazer a balsa emergir. O temor das oito comunidades ribeirinhas de Barcarena e Abaetetuba é de que o óleo mate os peixes e inviabilize a pesca na região durante um longo período. "Estamos em pânico. O que ocorreu foi uma irresponsabilidade da Texaco", atacou um dos dirigentes da Associação de Pescadores de Barcarena, Valdo Marinho. Ele disse que cerca de 6 mil famílias dependem da pesca de peixe e camarão para sobreviver. O coordenador de Fiscalização da Secretaria Executiva de Ciência Tecnologia e Meio Ambiente do Pará (Sectam), João Henrique Filho durante a elaboração do plano para resgate da balsa, feito por técnicos norteamericanos das empresas Smith American Inc e Oil Spill Response Limited, afirmou que a Texaco poderia ser multada em até R$ 50 milhões no caso de ocorrer vazamento de óleo. O valor da multa seria o mesmo que foi aplicado pelo Ibama à Petrobrás por ocasião do acidente na Baía da Guanabara, em janeiro. Esse valor representaria metade de toda a arrecadação do governo do Pará no mês de janeiro, que foi de R$ 100 milhões. "É um valor muito baixo, se for avaliada a contaminação dos rios da região banhada pela Baía de Marajó e onde está localizada a maior bacia hidrográfica do mundo", observou Filho. Ele anunciou que a Sectam vai abrir processo administrativo contra a Texaco para avaliar a extensão do dano ambiental e determinar a aplicação de sanções à empresa. "De acordo com o dano, a Texaco será responsável pela recuperação do desastre que provocou". O diretor de Segurança e Meio Ambiente da Texaco no Brasil, Domingos Millione, tentou minimizar o acidente, afirmando que o vazamento estava sob controle dos técnicos, que iriam começar ontem mesmo a limpeza da área em torno da balsa fundeada, onde o óleo que vazou estaria preso na barreira de contenção formada por cerca de 3.400 sacos de areia. Essa barreira, segundo Millione, forma uma espécie de cordão de proteção com 45 centímetros de altura, cujo objetivo seria represar o combustível e evitar que ele se espalhe pelo rio, atingindo as Baías de Marajó e Capim. Negando que todos os 400 mil litros ainda armazenados tenham escorrido para o leito do Rio Pará, o diretor explicou que o óleo vazou por uma trinca de cinco centímetros por meio centímetro de largura. "Esse óleo estava na bomba, quando ela quebrou, e isso era uma coisa previsível numa operação dessa natureza". Há 15 dias, durante a apresentação do plano de resgate da balsa, Millione foi taxativo ao afirmar que considerava "praticamente impossível" qualquer vazamento. Quando falava à Agência Estado, por volta das 16 horas, ele admitia que a Texaco ainda não havia conseguido avaliar a extensão do vazamento, mesmo fazendo questão de dizer que o que havia ocorrido era "coisa pequena, restrita à barreira de contenção". Perguntado porque a Texaco não havia revelado o vazamento ainda na manhã de sábado, quando ele próprio anunciou o defeito na bomba e adiamento do trabalho de resgate da balsa, o diretor foi evasivo: "Isso só foi percebido hoje, por causa das condições que temos no fundo do rio, que é muito escuro".





