Rio, 05 (AE) - O ex-governador do Rio Marcello Alencar (PSDB) comparou hoje o presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Sérgio Cabral Filho, a um cachorro pit bull. A resposta foi dada à declaração de Cabral Filho de que nunca foi "cachorrinho de ninguém", referindo-se a Alencar, para justificar a transferência do PSDB para o PMDB.
"Nunca achei que ele fosse um cachorrinho realmente, até porque o considero um pit bull", ironizou o ex-governador. Tido como uma das mais agressivas raças caninas do mundo, o pit bull pode trair até o próprio dono e, no Brasil, ele tem ganho notoriedade por atacar crianças indefesas. A prefeitura do Rio vem estudando até mesmo normas para erradicar o pit bull no município, entre elas a adoção de "castramóveis" - microônibus que circulariam por áreas carentes com agentes especializados em castração de animais.
Cabral Filho não quis comentar a declaração do ex-governador. "Para mim, este senhor não existe e o que ele fala não tem a menor importância", afirmou o deputado, que assina a ficha de filiação do PMDB no dia 15. A cerimônia deverá ter a presença de várias lideranças nacionais do partido, entre as quais o presidente nacional do PMDB e líder da legenda no Senado, Jáder Barbalho (PA), o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e o ministro da Justiça, Renan Calheiros.
Alencar evitou fazer ataques diretos ao ex-aliado. "Tudo o que eu tinha de dizer sobre ele já foi dito", disse. Ele lembrou que, durante três anos e 11 meses, contou com a fidelidade do deputado, mas que, após a eleição do governador Anthony Garotinho (PDT), a relação entre os dois mudou. "Após as eleições, perdi a afeição e a consideração desse sr.", completou.
O ex-governador defendeu a reforma política. "Essa mudança de partido não pode ocorrer mais", comentou. Com a transferência de Cabral Filho para o PMDB, os tucanos poderão perder até dez deputados, que deverão seguir o presidente da Alerj. "Todo o partido que chega ao governo incha; agora, fora do poder, o PSDB ficará saneado", acredita. O líder tucano lembrou que, quando foi eleito governador, em 1994, o próprio partido elegeu 14 deputados estaduais, depois aumentou a bancada para 26, enquanto o PDT, que elegeu 12, terminou o mandato legislativo com apenas um representante.
As desavenças entre Cabral Filho e Alencar começaram em novembro por causa da privatização da Cedae. O então governador e o filho Marco Aurélio Alencar, ex-secretário de Fazenda, não aceitaram a retirada da companhia do Programa Estadual de Desestatização (PED), aprovada pela Alerj, com forte apoio de Cabral Filho. O rompimento entre os dois ocorreu na votação do veto de Alencar à decisão da Assembléia. Na ocasião, o deputado acusou o governo estadual de tentar subornar parlamentares para manter o veto, que acabou sendo derrubado.

mockup