Alemão Guntel Blobel vence o Nobel de Medicina
Estocolmo, 11 (AE-AP) - O biólogo alemão naturalizado norte-americano Guenter Blobel, que descobriu um "código postal" que guia as proteínas dentro de organismos vivos, venceu o Prêmio Nobel de medicina deste ano. As pesquisas do biólogo, que desde 1967 trabalha na Universidade Rockefeller, em Nova York, contribuíram para o desenvolvimento de métodos que permitem o uso mais efetivo das células como "fábricas" naturais de proteínas no desenvolvimento de importantes medicamentos, revelou hoje o Instituto Karolinska (Suécia), que é responsável pela premiação.
Segundo o instituto, as descobertas de Blobel tiveram um imenso impacto na pesquisa da biologia celular. Além disso, abriram caminho para explicar e tratar diversas doenças congênitas. Já no início dos anos 70, Blobel descobriu que as proteínas recém-formadas carregam um "sinal intrínseco" essencial que serve de guia através da membrana da retícula endoplasmática, dentro da célula, e até mesmo fora do ambiente celular.
Nos 20 anos que se seguiram, o cientista descreveu o mecanismo molecular desse processo, mostrando que as moléculas de proteínas recém-formadas possuem desde o início um "código postal" que as guia às demais estruturas intracelulares.
Os princípios descobertos e descritos por Bobel são universais, ou seja, válidos para todos os tipos de células de plantas ou animais e revelam que diversas doenças congênitas humanas decorrentes de erros nesse "código postal" e no mecanismo de transporte das proteínas.
Suas pesquisas, desenvolvidas com cientistas norte-americanos
conseguiram explicar como as proteínas - moléculas formadas por cadeias de 50 a mais de mil aminoácidos - podem passar através das herméticas membranas dos orgânulos intracelulares e inclusive sair da célula com um destinatário preciso.
Cada um dos 100 bilhões de células das quais é feito o ser humano possui em seu interior diversos orgânulos, cada um isolado por uma hermética membrana de lipídios (gorduras) e cada um especializado no cumprimento de tarefas bem específicas.
O "controle" da célula está no núcleo, onde se encontra o material genético (DNA), e a mitocôndria é responsável pela energia necessária para o funcionamento. Por sua vez, os ribossomas e a retícula endoplasmática são verdadeiras fábricas de proteínas. Estima-se que cada célula contém 1 bilhão de moléculas de proteína, cada uma com uma função especializada, seja como elementos-chave para a construção da célula, seja como enzimas - mensageiras moleculares que catalizam milhares de reações específicas, inclusive nas mais remotas partes do organismo.
Na forma de sequências específicas de aminoácidos - conhecidas como sinais topogênicos - cada proteína carrega a informação necessária para conduzi-la a um local preciso da célula o para exportá-la para fora da célula.
Assim funcionam os mecanismos vitais dentro do organismo. Ante uma ataque viral, por exemplo, o sistema imunológico usa sinais topogênicos para a produção de anticorpos que localizam e neutralizam o invasor.





