Alemão atravessa Atlântico de jangada em protesto por tratamento dado a índios
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domingo, 19 de março de 2000
Por Carolina Brígido, especial para a AE 
Brasília, 20 (AE) - Em protesto pelo tratamento dispensado aos índios brasileiros nos últimos 500 anos, o alemão Rudiger Nehberg atravessou o Oceano Atlântico sozinho, em uma jangada feita de bambu e tronco de árvores. A viagem, de 43 dias
começou na Mauritânia, áfrica. Nehberg aportou em Fortaleza no dia 4. Hoje ele e a embarcação chegaram a Brasília, em uma carreta.
No Palácio do Planalto, o alemão protocolou um documento manifestando sua indignação quanto ao tratamento dado aos índios desde a chegada dos portugueses ao Brasil até a falta de ação do governo atual.
Rudiger Nehberg é integrante da ONG alemã Gesellschaft Furbedrohte Vlker (Associação para a Defesa dos Povos Ameaçados). Ao desembarcar no Ceará ele se desculpou pela colonização européia do Brasil, "ato de proporções descabidas de destruição dos seres humanos e suas culturas e da natureza". Ele acredita que o impacto de sua viagem tem muito mais valor do que entregar uma carta ao presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, "que provavelmente a jogaria no lixo".
Aos 63 anos, o ativista já fez várias viagens parecidas com essa. Seu primeiro contato com povos indígenas brasileiros foi em 1982, quando conheceu os ianomâmis, ainda como turista. Em 1987, ele veio do Senegal até São Luís (MA) em uma espécie de pedalinho. A intenção era entregar ao governo brasileiro um documento semelhante, em defesa dos direitos dos povos indígenas.
Segundo o índio guarani Maurício da Silva Gonçalves, os apelos dos ativistas internacionais dão bons resultados para os povos indígenas. "Eles têm ajudado muito a sensibilizar o governo", disse Gonçalves, um dos integrantes do Conselho de Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Brasil (Capoib) em Brasília. As principais reivindicações dos índios são a demarcação e a regularização das terras indígenas no País.


