São Paulo, 09 (AE) - A Alemanha quer fazer uma aliança estratégica com o Brasil e o Mercosul para abrir o mercado agrícola da Europa. A aliança deverá avançar com a reunião de presidentes da União Européia (UE) e do Mercosul em junho, quando Brasil e Alemanha estarão na presidência rotativa de seus respectivos blocos econômicos, afirma o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, Ingo Pl”ger.
O encontro nos dias 28 e 29 de junho no Rio será coordenado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo chanceler alemão, Gerhard Schr”der, o que deve favorecer o entendimento, já que ambos representam as maiores econômias de cada bloco, diz Pl”ger. "O melhor resultado da reunião seria o início das negociações de livre-comércio entre a UE e o Mercosul e a abertura do mercado agrícola europeu para o Mercosul", afirma.
A Alemanha, maior contribuinte para o Orçamento europeu, tem interesse em convencer seus parceiros da UE, sobretudo a França, a aceitarem um corte drástico nos subsídios à agricultura nas atuais discussões da Agenda 2000, que deve definir o Orçamento europeu entre 2000 e 2006. A Alemanha concentra forças na reforma da PAC (Política Agrícola Comum), que consome mais de 40% do Orçamento.
O interesse comum no fim dos subsídios agrícolas na Europa deve fazer de Brasil e Alemanha importantes aliados nas negociações sobre comércio global, a Rodada do Milênio, cujo lançamento poderá ser decidido em novembro em reunião de ministros da OMC. A Alemanha, terceiro maior parceiro comercial do Brasil, depois dos EUA e Argentina, é um importante mercado para os produtos agrícolas brasileiros.
No ano passado, a Alemanha foi o maior importador de café do Brasil, com US$ 370,32 milhões, seguida pelos EUA, com US$ 367,67 milhões. A balança bilateral, no entanto, é desfavorável ao Brasil. Em 1998, o Brasil conseguiu reduzir seu déficit no comércio com a Alemanha para US$ 2,233 bilhões, de US$ 2,524 bilhões em 1997, graças ao aumento de 15,3% nas exportações para US$ 3,006 bilhões. As importações de produtos alemães cresceram 2,01% para US$ 5,239 milhões.

mockup