Sachsenhausen, Alemanha, 27 (AE-REUTERS) - Pela primeira vez na história, a Alemanha homenageou oficialmente hoje (27) os homossexuais perseguidos pelos nazistas, com grupos de direitos dos gays exigindo desculpas formais do Parlamento pelo longo atraso.
Representantes da comunidade homossexual participaram de cerimônias no campo de concentração Sachsenhausen, ao norte de Berlim, como parte da comemoração nacional anual que culmina com a libertação do campo da morte de Auschwitz, na Polônia.
"Os gays têm sido por muito tempo as vítimas esquecidas e excluídas do Nazismo", disse Guenter Dworek, porta-voz da associação alemã dos homossexuais (SVD). "O governo ainda não reconheceu a perseguição que se iniciou em 1935. Nós conclamamos o governo a reabilitar de uma vez por todas as vítimas gays dos nazistas", afirmou.
Segundo a SVD, o regime nazista ordenou a castração de milhares de homossexuais, enquanto que cerca de 10.000 a 15.000, que se recusavam a ser mutilados, foram enviados a campos de concentração, onde a maioria acabava morrendo.
Os homossexuais masculinos eram submetidos a trabalho forçado, afirmou o historiador Joachim Mueller. "A maioria morria de dor ou exaustão. Eles, muitas vezes, eram mergulhados em água gelada e morria de ataque cardíaco e outras doenças decorrentes", disse.
Segundo Mueller, os gays não eram sistematicamente assassinados. "Os nazistas tentavam reeducá-los".
"Agora é tempo para que o parlamento peça desculpas aos homossexuais", disse Klaus Jetz, da SVD. Ele afirmou que, aos contrário de outros grupos perseguidos durante o Holocausto, as vítimas gays do Nazismo não receberam compensações.

mockup