Frankfurt, 21 (AE-AP) - Autoridades alemãs reativaram sua campanha para promover a candidatura do vice-ministro das Finanças da Alemanha Caio Koch-Weser ao cargo de diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), criando uma comoção enquanto ministros das Finanças dos sete países mais ricos do mundo partem para Tóquio, para uma reunião no fim de semana.
Koch-Weser, alemão nascido no Brasil, é considerado por seus partidários como um representante equilibrado dos países em desenvolvimento, que recebem ajuda do FMI, e das nações ricas do Ocidente, seus maiores contribuintes.
Escolher o sucessor de Michel Camdessus não está oficialmente na agenda do Grupo dos Sete. Mas se falará muito do assunto nos corredores, quando os ministros das Finanças se reunirem sábado, pois a saída de Camdessus está programada para o próximo mês.
Com a França e os Estados Unidos demonstrando frieza em relação a Koch-Weser, por lhe faltar proeminência e por sua formação ortodoxa em matéria de finanças, o chanceler alemão Gerhard Schroeder intensificou a campanha para colocar seu candidato na chefia do FMI, organização de 182 países membros com sede em Washington.
Antes da reunião dos ministros do G-7, Schroeder enviou cartas a 40 países promovendo Koch-Weser como conselheiro competente e bom negociador. O conselheiro de Schroeder para política externa
Michael Steiner, convocou embaixadores desses países e deu mais uma força à candidatura de Koch-Weser na segunda-feira.
"Esperamos receber em Tóquio uma clara mensagem de que Koch-Weser será o candidato europeu", disse Bela Anda, porta-voz do chanceler. "Os sinais que temos recebido são bem favoráveis."
Schroeder acelerou a campanha depois de a França indicar na semana passada que estava promovendo o ex-ministro das Finanças, Laurent Fabius. Mas a França já havia escolhido três dos últimos quatro chefes do FMI, entre eles Camdessus, e Fabius disse que a especulação sobre sua candidatura era "lisonjeira", mas inverídica.
Outros aspirantes ao cargo são o diretor do Tesouro da Itália Mario Draghi e dois britânicos - o ministro do Tesouro da Inglaterra Gordon Brown e Andrew Crockett, presidente do Banco de Compensações Internacionais (BIS), com sede em Basiléia, Suíça.
O Japão está promovendo o ex-vice-ministro das Finanças para assuntos internacionais, Eisuke Sakakibara - conhecido como "Mr. Yen" por causa de sua influência nos mercados monetários.
Segundo o acordo informal fechado depois da 2ª Guerra Mundial, a chefia do FMI sempre foi exercida por um europeu, ao passo que o chefe de sua instituição congênere, o Banco Mundial (Bird), tem sido norte-americano. Um alemão nunca foi diretor-gerente do FMI, e Koch-Weser - que tem 26 anos de experiência internacional no Banco Mundial - seria uma escolha natural, dizem seus partidários.
"A influência da Alemanha está aumentando e o país desempenha papel mais importante no cenário internacional, motivo pelo qual penso que é muito salutar para o mundo quando se consegue encontrar alemães como Koch-Weser para ter um papel de maior vulto", disse Peter Eigen, seu ex-colega no Banco Mundial que agora chefia o Transparency International, grupo com sede em Berlim que combate a corrupção política.
Koch-Weser subiu rapidamente na hierarquia do Banco Mundial, tendo sido economista e, depois, diretor de projetos da instituição para a área de saúde. O banco e o FMI atuam em estreita ligação financiando projetos de desenvolvimento, principalmente em países pobres.
Ele também criou e administrou um projeto conjunto FMI-Banco Mundial em Gana, que reciclou trabalhadores do setor público saturado de funcionários, preparando-os para empregos no setor privado. Também atuou numa campanha anticorrupção para garantir que os recursos do banco chegassem mesmo aos seus beneficiários.
Koch-Weser fora promovido a diretor-gerente do Banco Mundial quando o ministério das Finanças da Alemanha o recrutou, em abril, para fortalecer o gabinete de Schroeder, depois que o ministro das finanças, Oskar Lafontaine, renunciou em meio a uma divergência política.
Eigen disse que a força de Koch-Weser está em conseguir consenso sem imposições - um elemento-chave no trato de algumas das questões críticas que o FMI enfrenta agora, entre elas integrar a Rússia e a áfrica na economia mundial, além de levar a China para o âmbito da Organização Mundial de Comércio (OMC).
Mas Koch-Weser não tem a experiência de ministro das Finanças ou governador de banco central, o que o torna menos atraente para países membros do FMI, que apreciam sólidas bases em economia e finanças.
Isso terá grande importância à medida que aumentam as pressões para que o FMI se reestruture - principalmente nos Estados Unidos, que criticam o Fundo por causa de seus empréstimos à Rússia e do tratamento que deu à crise na ásia.
Também existem obstáculos políticos à candidatura de Koch-Weser.
O Japão é o segundo maior contribuinte financeiro do FMI, depois dos EUA, e pede com frequência que tenha voz mais influente na instituição.
Vários grandes países asiáticos, bem como a Rússia, apóiam abertamente a candidatura de Sakakibara.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos têm dado uma acolhida morna a Koch-Weser - em parte porque se interessa em deixar a vaga aberta para o secretário norte-americano do Tesouro, Lawrence Summers, que pode perder o cargo depois da próxima eleição presidencial nos EUA.
Nesse ínterim, prevê-se que o vice de Camdessus, Stanley Fischer, preencha pelo menos parte dos dois anos que restam do mandato de seu chefe.

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