Bonn, 27 (AE-IPS) - A economia da América Latina pode crescer no ano que vem. O prognóstico foi divulgado hoje (27) em Bonn por seis dos principais institutos econômicos do país. Apesar de a evolução econômica latino-americana ser mais positiva que a observada na ásia, avaliam os institutos, o aumento médio do PIB cairá este ano cerca de 2,5%.
Para o Brasil, os pesquisadores de Berlim, Kiel, Hamburgo, Essen, Halle e Munique trabalham com uma queda do PIB de 5,0%. Todavia, avaliam, será decisivo para uma evolução positiva no futuro que o presidente Fernando Henrique Cardoso consiga consolidar as finanças públicas. Os pesquisadores aguardam que seja amplamente implementado o pacote de medidas de ajuste fechado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e que a recente queda nas taxas de juros tenha consequências positivas.
Embora o Estado tenha problemas de solvência e são menores as necessidades de ajuste no setor privado, espera-se que a economia do Brasil se recupere de forma rápida, assim como as condições financeiras. Ao contrário do ocorrido com as crises monetárias na ásia e Rússia, os efeitos da crise do Brasil serão limitados em nível ragional.
Somente a Argentina e os outros dois sócios menores no Mercosul - Uruguai e Paraguai - estão sentindo os efeitos comerciais da desvalorização do real. Os demais países latino-americanos não têm relações comerciais significativas com o Brasil. Contudo, a melhoria das condições de competitividade dos produtos brasileiros terá efeitos negativos para a participação dos países latino-americanos nos mercados internacionais.
A economia da Argentina cairá 2,0%. Chile e Colômbia devem melhorar sua situação, em especial por causa da evolução moderadamente positiva dos preços nos mercados de matérias-primas. A economia do México se expandirá novamente este ano, ao se beneficar da forte conjuntura econômica dos Estados Unidos, seu principal sócio comercial, e do aumento dos preços do petróleo.
Já nos Estados Unidos se produzirá a partir deste ano uma ligeira desaceleração da conjuntura econômica, com um crescimento do PIB de 3,5% este ano e de 2,5% no ano que vem. Na ásia, a economia está se recuperando de forma paulatina e este ano deve crescer 3,0%, após queda no ano passado. O PIB deve crescer no ano que vem cerca de 4,5%.
No Japão, essa reativação será fraca e o crescimento menor do que em 98. Ainda segundo os institutos alemães, na Europa ocidental se registrará este ano uma pequena reativação da economia nos países fora da zona do euro. O mercado de trabalho melhorou muito na Espanha, Irlanda e Finlândia e na Itália voltou a piorar, avaliam os pesquisadores. Nos países da Europa central ocorrerá um enfraquecimento transitório da expansão econômica, que voltará a estabilizar-se no ano 2000. Nas ex-repúblicas soviéticas, concluem os institutos, as persistentes quedas no PIB devem continuar.

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