Friedrichshafen, 27 (AE) - A ZF, empresa alemã de componentes automotivos, planeja investir US$ 25 milhões no Brasil nos próximos três anos. "Queremos continuar na América do Sul, mantendo a posição de importante fornecedor", disse o vice-presidente executivo do grupo, Wolfgang Vogel.
A empresa, que fabrica sistemas de direção e transmissão (câmbio) para veículos, fornece equipamentos para grandes companhias do setor, como a Mercedes-Benz e a Volvo. Na América do Sul, a ZF tem duas unidades, uma no Brasil e outra na Argentina.
A fábrica da Argentina foi inaugurada no ano passado e consumiu investimentos de US$ 100 milhões. Devido ao aporte feito no país, Vogel mostrou preocupação com as eleições argentinas. "Temos receio de uma desvalorização da moeda", afirmou. O faturamento total do grupo ZF é de US$ 6 bilhões por ano. A América do Sul contribui com US$ 240 milhões desse total. No Brasil, a ZF detém 40% do mercado.
O diretor de marketing da empresa no País, Anders Carlen
explicou que, do total de investimentos previstos para o Brasil
30% serão aplicados no desenvolvimento de novos produtos, outros 30% na modernização da fábrica e o restante em melhoramento de qualidade e estrutura.
Em dezembro, a empresa vai começar a fabricar no Brasil um sistema de transmissão automática para ônibus urbanos (o "Ecomat"). A fábrica da ZF em São Paulo, que fica na cidade de Sorocaba, interior de São Paulo, fornecerá o produto para todo o Mercosul. Atualmente, a ZF do Brasil importa o Ecomat da sede na Alemanha. Após a desvalorização cambial, a empresa decidiu nacionalizar a fabricação do sistema de transmissão.
Outro fator que estimulou a ZF a produzir o Ecomat no Brasil foi uma lei municipal paulista, que saiu no início do ano
pela qual os novos ônibus urbanos passam a ser obrigados a possuir câmbio automático.
No início de 2000, a ZF trará mais dois produtos novos para o País: são transmissões mecânicas para caminhões e ônibus de 9 e 16 marchas. Esses produtos devem equipar a nova linha de caminhões que a Mercedes está preparando. Os sistemas não serão produzidos no Brasil. Num primeiro momento, a empresa vai importá-los da fábrica na Alemanha.
Outra novidade da ZF, que também deve chegar no ano que vem, é o sistema AS Tronic, de transmissão semi-automática e manual sem embreagem para caminhões médios e pesados, com 16 marchas. As vantagens desse sistema são a economia de combustível, menor desgaste dos componentes e maior conforto para o motorista.
No setor de automóveis, a empresa lançou recentemente uma transmissão automática de seis velocidades (6 HP 26), que também será fabricada na Alemanha. A intenção da ZF é substituir
no médio prazo, os atuais câmbios de cinco velocidades, que hoje compõem 80% da produção de transmissões automáticas. A transmissão 6 HP 26 é mais leve e 13% menor do que a de cinco marchas.
A ZF também atua no segmento de tratores agrícolas, os chamados "off road" (fora de estrada). Uma das fábricas da ZF na Alemanha, na cidade de Passau, está desenvolvendo uma caixa de câmbio totalmente informatizada para tratores. Por esse sistema, o motorista pode programar sua estratégia de condução, escolhendo, por exemplo, andar numa velocidade média constante ou na máxima potência. O produto será lançado no ano que vem na Alemanha. Segundo a empresa, já existem dois clientes seguros para a nova caixa.
"Queremos nos focar mais nos produtos agrícolas", disse o diretor de marketing da unidade de Passau, Jochen Weidemann. Na avaliação de Weidemann, o mercado de tratores enfrenta uma tendência geral de queda. Segundo ele, o número de tratores vendidos em todo o mundo já chegou a ser de 400 mil por ano. Hoje, contou, está em 250 mil. A expectativa do diretor é que chegue a 200 mil nos próximos cinco anos.
O diretor afirmou que, mesmo assim, o tamanho desse mercado é interessante para a ZF. Atualmente, a empresa tem 5% do mercado mundial de tratores e quer expandir sua participação. Tanto que a ZF pensa em comprar o segmento "off road" da austríaca Steuer. Essa empresa é forte no segmento de veículos e quer vender sua área de tratores.
A ZF é controlada pela Fundação Zeppelin, que pertence à cidade de Friedrichshafen (Alemanha). O presidente do conselho de administração da empresa é o prefeito, que portanto, muda a cada eleição. A Fundação, que detém 100% das ações da ZF, recebe os dividendos e os utiliza em iniciativas sociais.

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