Aleluia comanda ofensiva para obstruir votação
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de novembro de 1999
por Nelson Breve 
Brasília, 23 (AE) - O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA), está comandando uma ofensiva para impedir a votação do relatório sobre a proposta de reforma tributária pelo relator, deputado Mussa Demes (PFL-PI), na comissão especial que examina a matéria. Aleluia já conversou com o relator, que não se propôs a fazer mudanças significativas no relatório, para garantir a capacidade dos Estados de conceder incentivos fiscais.
Aleluia está reunido neste momento em seu gabinete, na CCJ, com deputados do PFL baiano, acionando por telefone os coordenadores de bancadas estaduais para que exerçam pressão sobre seus líderes com objetivo de adiar a votação do relatório, marcada para hoje, na comissão especial. "Os Estados vão tentar adiar essa votação. Se não conseguirmos, vamos obstruir, porque essa proposta, do jeito que está, não agrada a ninguém", afirmou Aleluia à Agência Estado.
"Só os empresários sem visão e os partidos apoiados por São Paulo é que apóiam a proposta". Segundo Aleluia, a proposta de Mussa Demes não passa no plenário da Câmara, e o presidente da comissão especial, deputado Germano Rigotto (PMDB-RS), não deveria insistir na votação do relatório. "Há pessoas que acham que o triunfo acontece nas batalhas, e não na guerra. O Rigotto está equivocado ao achar que ganha ao aprovar a proposta na comissão, mas ele só ganha se for aprovada em plenário", sustentou. Aleluia também conversou, há pouco, com o deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), membro da bancada ruralista que integra a comissão especial de reforma tributária como titular e também está trabalhando para impedir a votação do relatório de Demes.
"Eu não vou votar contra o meu Estado", disse Caiado ao sair do gabinete de Aleluia. Segundo ele, o movimento contra o relatório de Mussa contará com apoio, além das bancadas da Bahia, também das de Goiás e do Ceará, Estados que se beneficiaram com a guerra fiscal, e de Minas Gerais e do Espírito Santo que, segundo o deputado, também estão contra o relatório.


