Aleksandro pode ser expulso do PFL
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quinta-feira, 03 de fevereiro de 2000
Por Gilse Guedes 
Brasília, 03 (AE) - O deputado José Aleksandro da Silva (PFL-AC), o "Zé Alex", que é alvo de um processo de cassação de mandato por ter mentido à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara, corre o risco de ser expulso do partido. Ele é acusado de usar indevidamente um documento assinado pelos presidentes nacionais do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e do PMDB e líder da legenda no Senado, Jáder Barbalho (PA), para intermediar verbas federais e pedir o boicote de recursos ao Acre, governado pelo adversário Jorge Viana (PT).
O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PFL-PE), disse hoje que o fato é "gravíssimo" e complica a situação de "Zé Alex" no partido.
O parlamentar assumiu a vaga do ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC), que foi cassado por quebra de decoro.
Pascoal está preso e é apontado como o cabeça de uma quadrilha de narcotraficantes. "Zé Alex" também seria um dos integrantes do grupo, segundo investigação da CPI do Narcotráfico.
"É gravíssimo o fato de ele ter usado o nome de terceiros, ainda mais do presidente nacional do partido (Bornhausen)", disse Oliveira. O líder do PFL acredita que na quarta-feira (09), em reunião da Executiva Nacional do partido, o comando pefelista poderá tomar uma posição sobre o caso. A bancada do PT, partido do governador de Viana, deve encaminhar na terça-feira (08) à Corregedoria da Câmara nova representação pedindo a cassação do mandato do deputado federal do PFL do Acre por quebra de decoro parlamentar. O presidente nacional do PPB, Pedro Corrêa (PE), que também foi citado no documento, vai encaminhar o caso à Direção Estadual do partido no Acre e à Polícia Federal (PF).
Em carta encaminhada a todos os ministérios, "Zé Alex" cita os nomes de Bornhausen, Barbalho e Corrêa com o objetivo de pedir que as ações dos ministérios para a liberação de "recursos federais e assinaturas de convênios federais sejam feitas por meio dos deputados (Zila Bezerra, Ildefonço Cordeiro - os dois do PFL, Sérgio Barros - PSDB, João Tota - PPB e senador Nabor Júnior - PMDB), que dão sustentação política ao governo".
O pefelista anexou ao pedido um ofício assinado pelos presidentes do PFL, PPB e PMDB, que foi enviado ao presidente Fernando Henrique Cardoso para outra finalidade. "Zé Alex" diz ainda que essa é uma medida necessária para que os parlamentares citados possam "fazer os acompanhamentos e para que sejam prestigiados pelo governo federal".
"Zé Alex" fala ainda sobre a "falta de postura política" de Viana. "Este parlamentar, que vota os projetos de interesse do governo federal, não aceitará que as ações do governo sejam dirigidas para o Estado do Acre por meio de seus adversários políticos", diz o documento.
Segundo Oliveira, o PFL "não compactua com a política de boicote ao Acre". "O partido tem hierarquia", disse o líder da legenda. Bornhausen acusou o correligionário de uso indevido de documentos e encaminhou cópias dos ofícios ao relator do processo de expulsão do mandato do deputado federal do PFL. Para Oliveira, a ação vai ser "agilizada" depois do fato novo. O corregedor da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-PE), disse que não vê ainda elementos para a cassação por quebra de decoro.
"Zé Alex" confirmou hoje que encaminhou os ofícios aos ministérios apenas para pedir que o governo informasse sobre os convênios firmados entre a União e o governo do Acre. "O governo estadual não pode governar apenas com aliados, mas com adversários também", disse o parlamentar. Ele negou que tenha feito uso indevido de documentos.
A subcomissão da CPI que investiga denúncias do suposto envolvimento do deputado Wanderley Martins (PDT-RJ) com o crime organizado deve pedir à Receita Federal o levantamento das declarações de renda do parlamentar apresentadas nos últimos dez anos. O depoimento reservado do delegado aposentado da PF Onézimo Sousa não trouxe elementos que comprovem a ligação de Martins com o narcotráfico, segundo o deputado Waldemir Moka (PMDB-MS), integrante da subcomissão.


