Alegria que contagia o tempo todo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de março de 2011
Marian Trigueiros <br> Reportagem Local 
Londrina - ''Tanto riso. Oh, quanta alegria. Mais de mil palhaços no salão...'' A marchinha representa bem o que é carnaval. No Brasil, sem sombra de dúvidas, a data é sinônimo de diversão. Tanto que é só ir a um baile ou uma festa para ver o quanto as pessoas estão contentes. Mas se algumas ficam mais animadas nesta época, existem aquelas que mantêm a alegria durante o ano todo. Levam a vida de maneira otimista diante da família e amigos, perpetuando o bom estado de espírito até mesmo na profissão. Sorte de quem está ao redor.
Alto astral não falta para a enfermeira Juliana Paula de Oliveira. ''Meus amigos dizem que animo até velório. Mas não me acho uma pessoa engraçada, tudo para mim é natural. Comigo não tem tempo ruim mesmo'', resume, esbanjando alegria. Por estar sempre de bom humor é comum outras pessoas não a levarem a sério em algumas situações. ''Como eu falo e brinco bastante, no trabalho já aconteceu de eu dizer algo importante e o pessoal começar a rir.''
No caso de Juliana, a alegria só a ajuda, já que lida diariamente com pessoas carentes no Posto de Saúde em que trabalha. ''São pessoas pobres, geralmente tristes e doentes. Mas digo que de cada 50 que chegam, três apenas têm realmente alguma coisa. Pratico o que dei o nome de 'papoterapia'. Como gosto de conversar, isso acaba ajudando muito. Tem paciente que sai do posto saltitante'', comemora Juliana. Mas apesar de estar sempre sorrindo, a jovem diz que também tem seus momentos de tristeza. ''Mas não deixo durar muito tempo. Sofrer não vai mudar nada'', afirma.
Até muda, mas para pior, afirma a oncologista pediátrica Tania Anegawa. O estresse e comportamento negativo liberam substâncias como cortisol e adrenalina, além de elevar a pressão arterial. ''A alegria e otimismo, pelo contrário, ajudam em todas as situações. E não estamos falando somente do benefício nas interações humanas, mas na resposta biológica positiva'', comenta, reforçando que ter bom humor não é rir à toa.
Segundo a médica, uma pesquisa em São Paulo, realizada no Hospital do Campo Limpo, revelou que 85,4% das crianças apresentaram melhoras clínicas depois dos encontros semanais com os ''Doutores da Alegria''. ''Enfrentar uma doença grave com otimismo é sempre melhor. A felicidade libera endorfina e antioxidantes no organismo. Estes, por sua vez, diminuem a dor, melhoram a imunidade, otimizando o tratamento'', argumenta a oncologista. A mesma pesquisa apontou ainda que 74% das mesmas crianças passaram a aceitar melhor os remédios e tratamentos.
Por isso, as unidades médicas têm ganhado ares cada vez mais ''leves'', principalmente nas alas infantis. E foi seguindo os conselhos da profissional que Tiago Duarte Borges, de 20 anos, enfrentou um tumor no cérebro, no auge de sua juventude. ''Imagina você ficar cego aos 17 anos? Foi difícil aceitar e me adaptar à nova vida. Mas a alegria de estar vivo foi muito maior. Se não tivesse enfrentado tudo isso com otimismo, certamente estaria em cima de uma cama'', conta ele, que depois de perder a visão aperfeiçoou os conhecimentos de artesanato. ''Faço caixas de madeira para presentes. Antes eu era arteiro, agora sou artista'', brinca o jovem.


