Alcoolistas e dependentes de crack dominam atendimento
Em Londrina, o serviço municipal de referência no atendimento de dependentes de álcool e outras drogas é o Centro de Atenção Psicossocial (Caps-AD) que, de acordo com a psicóloga e coordenadora do serviço, Ana Carolina Athayde, realiza 250 atendimentos por mês. Desse total, 45% são alcoolistas, 45% são dependentes de crack e 10% se envolveram com outras drogas. Na rede de atendimento não governamental, formada por entidades que recebem apoio da prefeitura, estão disponíveis 21 vagas em comunidades terapêuticas e há também registro mensal de 400 atendimentos em grupos de ajuda mútua e 320 em comunidades terapêuticas.
Há uma grande discussão em torno do crack, mas o álcool também é muito preocupante, principalmente porque, quando a pessoa procura ajuda, já está muito comprometida, diz, lembrando que o alcoolismo não escolhe lugar nem classe social para se manifestar, apesar de o perfil dos atendidos pelo Caps-AD reunir principalmente pessoas de baixo poder aquisitivo, baixa escolaridade e situação familiar desagregada. Nas classes mais altas, o alcoolismo se manifesta de forma sutil.
Em sua tese de mestrado em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), o psicólogo e professor da UEL, Sérgio Ricardo Belon da Rocha Velho, traçou o perfil das pessoas que passaram pelo Caps-AD entre julho e dezembro de 2008. Foram 486 entrevistados, sendo 85,4% do sexo masculino e 64,3% sem ensino fundamental completo.
A maior concentração de alcoolistas foi registrada entre pacientes de 35 a 44 anos: 73,5% dos entrevistados dessa faixa etária dependiam da substância, contra 4,8% entre os menores de 18 anos e 6,2% entre 18 e 24 anos. Com relação ao crack, a proporção é inversa, representando 78,5% dos usuários nesta faixa etária. O acesso ao crack é maior entre os jovens porque há algumas décadas essa droga não existia, explica.
O psicólogo também detectou que 40% dos entrevistados chegou ao centro por busca espontânea e o restante foi encaminhado. A maioria, segundo ele, veio através de serviços de maior complexidade tanto da área de sáude como de assistência social, o que significa que a dependência foi identificada em estágio avançado. Isso indica que no início, quando é mais fácil tratar, o problema não está sendo identificado, avalia.
No Caps-AD, os pacientes recebem atendimento ambulatorial de uma a cinco vezes por semana com equipe multidisciplinar que inclui psicologia, terapia ocupacional e educação física. A ideia é que não haja distanciamento da família e dos vínculos sociais, explica Ana Carolina. Se há necessidade de internação por causas clínicas ou psiquiátricas, o Caps encaminha para os hospitais de acordo com regulação do Samu.
Ela lembra que o serviço trabalha o conceito de redução de danos, ou seja, o objetivo do atendimento é reduzir os riscos à vida, mesmo que isso implique na continuidade do uso de álcool e outras drogas. A grande maioria reduz o uso e tem a qualidade de vida aumentada após o tratamento. Outros são pacientes crônicos e oscilam entre bons e maus períodos. (C.A)





