Alcoolismo, este problema de saúde tem cura
Alcoolismo
Este problema de saúde tem cura
Na edição de março falamos do tabagismo; nesta edição falamos do alcoolismo, problema maior
Um manual distribuído pela Clínica das Palmeiras aos laboratórios e consultórios médicos de Londrina, conta bem explicadas coisas interessantes, e preocupantes, a respeito dos males do consumo exagerado de bebidas alcoólicas. O brasileiro é principalmente um bebedor de cachaça e de cerveja, mas também consome muito vinho, além de outros bebidas.
Vinho é hoje quase uma bebida marginal, considerando seu baixo consumo unitário por pessoa: apenas 2 litros por ano, enquanto o consumo per capita na Argentina é de 45 litros/ano. Bebida menor no gosto do etilista (não confundir com estilista ou elitista) nacional, o vinho mostra números gigantescos: somente nos primeiros cinco meses do ano passado, segundo o Ministério da Agricultura, foram importados 6,3 milhões de litros de vinho. As importações são apenas 20% do total de vinho comercializado no País! Como o tabaco, o vinho é uma das fontes nacionais de renda. A exemplo também da cachaça e da cerveja, bebidas de maior consumo. De um lado, essas bebidas geram impostos para o governo; de outro lado, tiram recursos que são gastos no tratamento dos dipsomaníacos (outro nome sutil que pode substituir a pesada denominação alcoólatras - ou, pior ainda, cachaceiros) e de todas as sequelas, inclusive sociais e econômicas, da ingestão exagerada dessa droga social que é o álcool.
Fonte de renda...Cantada pelos sambistas e poetas, a cachaça tem, como fonte de renda, cobertura do Governo. Cachaça faz mal? Faz, mas dá dinheiro. Por isso o povo que se cuide. Bebida das chamadas classes menos favorecidas da população, a caninha pode subir aos estratos econômicos de maior poder aquisitivo, as classes média e alta. A idéia governamental é estabelecer uma política para a caninha, de modo que se acabe o preconceito de que ela é bebida de pobre.
Para combater esse preconceito e melhorar a imagem do produto, o então ministro da Agricultura, Arlindo Porto, lançou em março o Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Aguardente de Cana, Caninha ou Cachaça. Tanta preocupação baseia-se na produção anual de 2 bilhões de litros de cachaça. Um bilhão e 300 milhões de litros são produzidos por empresas registradas e 700 milhões por alambiques clandestinos.
Do programa, que poderia chamar-se A Cachaça é Nossa, participam também os ministérios da Indústria, Comércio e Turismo; Relações Exteriores e Fazenda; o Serviço de Apoio a Pequenas e Microempresas (Sebrae), a Confederação Nacional Nacional da Indústria e sindicatos da área de bebidas. Coisa importante, a cachaça! Para muitos médicos e hospitais também ela é fonte de renda.
...e de desesperoNas propagandas antiálcool distribuídas pela Associação de Alcoólatras Anônimos (AAA), é conhecido o desenho de um rosto de mulher, chorando sobre uma taça. É que, além de prejudicar quem bebe, a cachaça (termo aqui relativo a qualquer tipo de bebida alcoólica) desestrutura famílias após a dissolução da vida conjugal, leva a vítima a abandonar os laços mais fortes com a família e sua responsabilidade afetiva e econômica para com ela; diminui o rendimento e a responsabilidade do alcoólatra no trabalho; torna-o violento com os filhos e cônjuges. Enfim, gera uma tensão de consequências ruins.
A família, abandonada, desespera-se e ainda procura durante muito tempo recuperar o alcoólatra. Alguns conseguem livrar-se do vício; muitos, não. Para grande parte das vítimas esse é um caminho sem volta. Tudo começa no primeiro gole. Por onde passa um boi, passa uma boiada.
RepercussõesO alcoolismo repercute no organismo do alcoolista e no seu trabalho, entre outras consequências. As principais repercussões orgânicas são: hálito com cheiro de álcool, rosto vermelho, emagracimento, inapetência, aversão a doces;náuseas ou vômitos pela manhã; diarréia, gastrite (azia); alterações da função hepática, cirrose, pancreatite, irritabilidade, insônia, convulsão, dores musculares e fraqueza; polineurite, disfunção sexual, hipertensão arterial, tuberculose, palpitações, escoriaçoes, contusões, fraturas, pelagra; acidente de trânsito e de trabalho; desemprego prolongado, má adaptção familiar e social, história de criança gravemente espancada.
No trabalho as consequências são: ausências não autorizadas; licenças por doenças; ausência de curta duração; ausências nas segundas, sextas-feiras e dias que sucedem feriados; trabalhos extras para compensar ausências; doenças vagas como enxaqueca, queixas musculares e gástricas; saídas frequentes do local em que está trabalhando; atraso excessivo após o almoço ou intervalo; idas frequentes ao bebedouro, banheiro, estacionamento; acidentes fora do serviço que afetam a produtividade; desuso de roupa de segurança como capacetes, luvas e cintos; déficit de concentração, imprudência, descoordenação motora, pior produtividade pela manhã, queixas dos colegas e clientes, faltas aos compromissos; necessidade de tempo sempre maior para fazer, desperdícios de materiais; perda/estrago de equipamento, desculpas esfarrapadas; dificilmente reconhecem erros, dificuldades com tarefas novas e complexas: hábitos irregulares de trabalho.





