A antropóloga e coordenadora do Programa Municipal de Atendimento ao Caingangue, Marlene de Oliveira, destacou que os casos de violência envolvendo indígenas normalmente estão associados ao consumo de álcool, um problema que atinge aldeias de todo o país. ''O efeito (do álcool) no índio é devastador'', comentou.
Ela qualificou como fatalidade a morte de Dirceu ''Croi Croi''. Explicou ainda que deverá ser feito um laudo antropólogico para determinar a que tipo de punição estarão sujeitos os autores.
A pesquisadora, desde 2000, desenvolve um projeto de prevenção ao alcoolismo entre os 1.250 índios da Reserva do Apucaraninha. De acordo com ela, esse é um problema de saúde grave e impossível de ser resolvido a curto prazo.
Marlene de Oliveira destacou que pesquisas realizadas em nível mundial apontam que 10% da população consome álcool. ''Entre os índios, esse número é três vezes maior'', alertou. Segundo ela, isso acontece por fatores históricos, como a presença de alambiques nas aldeias, e porque, culturalmente, o índio sempre produziu bebidas alcoólicas para serem usadas simbolicamente em rituais. Atualmente, entretanto, a dependência é crônica e tem relação com outros problemas de saúde dentro das aldeias.

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