Paris - Beber na adolescência pode danificar irremediavelmente o cérebro, alertaram cientistas franceses após analisar, através de ressonância magnética, o cérebro de trinta homens, grandes consumidores regulares de álcool.
Quanto mais álcool se consome a uma idade precoce, menos a matéria cinzenta está presente em algumas partes do cérebro conhecidas por só terminar sua maturação no fim da adolescência, destacou o estudo, publicado nesta quarta-feira pelo Instituto da Saúde e da Pesquisa Médica (Inserm), o Comissariado da Energia Atômica (CEA) e pelos hospitais públicos parisienses.
Para Jean-Luc Martinot, do serviço hospitalar Frédéric Joliot (CEA), não se pode explicar os desgastes sofridos pelo cérebro unicamente pela quantidade de álcool, mas pelo fato de que os indivíduos começaram a beber precocemente.
''Nós descobrimos vestígios de uma perturbação no amadurecimento do cérebro vinculada ao consumo precoce de álcool'', disse Martinot à AFP.
As imagens captadas pelos aparelhos de ressonância magnética atômica permitiram visualizar os desgastes causados pelo álcool no cérebro dos alcoólicos, mostrando uma diminuição de até 20% na massa cinzenta das regiões frontais. O álcool também ataca de forma difusa as conexões entre as regiões cerebrais, asseguradas pela massa branca.
A experiência, realizada entre 2003 e 2006, foi feita com 31 homens entre 30 e 50 anos, bem inseridos socialmente e que consumiam o equivalente a dois litros de vinho por dia. Os resultados da ressonância magnética, cruzados com testes de aptidão, confirmaram que o álcool danifica certas funções cognitivas, como o planejamento de tarefas e a resolução de problemas.

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