Álcool líquido foi retirado ontem das prateleiras
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terça-feira, 20 de agosto de 2002
Denise Angelo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A venda de álcool etílico na sua forma líquida está proibida em todo o País desde ontem, data em que entrou em vigor a Resolução RDC 46, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão vinculado ao Ministério da Saúde. A partir de hoje, o consumidor deverá encontrar nos estabelecimentos comerciais somente frascos de álcool em gel.
Ontem, as chefias de supermercados passaram o dia ordenando a retirada do produto das prateleiras. Segundo a assessoria de imprensa da Associação Paranaense dos Supermercadistas (Apras), os mercados terão três alternativas de destino para os estoques. A primeira seria devolver o produto para os fabricantes. Caso o estoque seja pequeno, podem manter o produto para o consumo próprio, usando o álcool para limpeza. E a terceira é continuar comercializando aquelas marcas cujos fabricantes ganharam liminar na Justiça garantindo o direito da venda. Quem descumprir a determinação de retirar o produto estará sujeito ao pagamento de multa que varia de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão.
O consumidor passará a ter mais segurança. Mas para isso, terá que pagar quase o dobro do que gastava para adquirir a forma líquida do produto. Enquanto o líquido custava cerca de R$ 1,00 o frasco de meio litro, o álcool em gel está sendo vendido por mais de R$ 2,00. Porém, os fabricantes garantem que o gel tem rendimento muito maior.
Os órgãos de defesa do consumidor não se colocaram contra a retirada do produto líquido do mercado, mesmo tendo consciência de que na forma de gel o álcool custa mais caro. Isto porque, consideram que a segurança oferecida pelo produto compensa o preço. O diretor geral da Associação de Defesa e Orientação do Cidadão (Adoc), Fernando Kosteski, ressalta que o preço é um problema, mas mesmo assim a entidade não pretende questionar judicialmente a medida porque não entende que o consumidor teve seus direitos afetados com a decisão da Anvisa.
Segundo a organização não governamental Criança Segura (Safe Kids Brasil), todos os anos um milhão de pessoas sofrem queimaduras no Brasil, sendo que 150 mil são vítimas de acidentes com álcool; destas, 45 mil são crianças. O álcool em gel é mais seguro porque, num eventual acidente, ele tem uma película que fica entre o produto e a pele, retardando os danos causados pelo fogo. Além disso é menos explosivo e se espalha menos.
No Hospital Evangélico, centro de referência em queimaduras no Paraná, o número de queimados com álcool ocupa a segunda posição no ranking e só perde para ocorrências com líquidos quentes, como água e leite.


