Arquivo FolhaDupla infraçãoEstudo mostra que é grande o número de adolescentes que ingeriram álcool: 52,8% entre os acidentados com menos de 20 anos estavam alcoolizadosPesquisa inédita realizada entre acidentados no trânsito de quatro capitais no país mostra que 61% deles tinham tomado bebida alcoólica, sendo que 27% tinham no sangue quantidade de álcool superior a 0,6 grama por litro - o máximo permitido pelo novo Código Nacional de Trânsito.
O levantamento - ‘‘Impacto do Uso de Álcool e Outras Drogas em Vítimas de Acidentes de Trânsito’’ - foi realizado nas cidades de Brasília, Curitiba, Salvador e Recife de 26 de agosto a 3 de setembro deste ano com 1.114
acidentados a partir dos 13 anos de idade.
Foi detectado por intermédio de exames de sangue e urina que 7,3% haviam usado maconha, 3,4% haviam consumido tranquilizantes, e 2,3%, cocaína. ‘‘Os números sobre o uso da maconha entre os acidentados são alarmantes. A sociedade não pode admitir esse tipo de comportamento, há até parlamentar defendendo o uso e essa banda fajuta apregoando a maconha’’, disse Antonio Carlos de Carvalho, presidente da Abdetran (Associação Brasileira dos
Departamentos de Trânsito), entidade que encomendou o estudo. O grupo musical a que Carvalho se referiu é o Planet Hemp (Planeta
Maconha), cujos integrantes foram presos após apresentação em Brasília sob acusação de fazer apologia da maconha. Eles saíram da prisão na semana
passada.
A pesquisa foi realizada nos dois principais hospitais de cada cidade e nos IMLs locais (Instituto Médico Local). Ela mostra que 77,4% dos acidentados em Brasília tinham presença de álcool no sangue, recorde das quatro cidades. O consumo de bebida alcoólica nas quatro capitais foi maior entre as vítimas de trânsito de 20 a 39 anos: 65% delas haviam bebido antes do acidente.
Chama a atenção, no entanto, o grande número de adolescentes que ingeriram álcool: 52,8% dos acidentados com menos de 20 anos estavam alcoolizados, 16,5% dos quais com mais de 0,6 g/l. Essa quantidade equivale, por exemplo, à ingestão de dois copos de uísque ou três de cerveja. Na faixa etária dos 13 aos 17 anos, 47,7% das vítimas tinham tomado bebida alcoólica e 10,3% acusavam presença de mais de 0,6 g/l. ‘‘Nossos adolescentes estão bebendo e bebendo muito. Ainda por cima estão dirigindo, é uma dupla infração’’, afirmou o psiquiatra Evaldo Oliveira, do Instituto Raid de Pernambuco, que estuda a dependência química. Legalmente, é proibido vender bebida alcoólica a menores de 18 anos.
Segundo Oliveira, assim como o álcool, a maconha e a cocaína também
prejudicam o ato de dirigir um veículo, pois afetariam a coordenação
motora e os reflexos. Isso explicaria a maior presença de acidentados com álcool no sangue entre as vítimas de choque (quando o veículo bate contra objeto fixo) e capotamento, 71,1% e 63,6%, respectivamente.
Os resultados da pesquisa serão levados pela Abdetran a governos
municipais, estaduais e ao federal. O presidente da entidade tentará
encaminhá-la também à ONU. ‘‘É preciso que a sociedade tenha consciência de que o trânsito é maléfico, mata 60 pessoas por dia. É preciso atacar as causas disso, não as consequências’’, afirmou Carvalho.

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