Nova York, 11 (AE-DOW JONES) - Menos de 12 horas depois do anúncio da fusão da Alcan Aluminum Ltd. com a francesa Pechiney e a suíça Alusuisse-Lonza, a norte-americana Alcoa Inc., maior produtora de alumínio do mundo, ofereceu hoje (11) US$ 5,6 bilhões em dinheiro e ações para assumir o controle da rival Reynolds Metals Co., também dos Estados Unidos. A iniciativa aponta para um realinhamento radical no mercado de alumínio, que começa a se recuperar depois de vários meses de depressão.
Essa nova tendência, sob a ótica dos especialistas desse segmento, é resultado da forte queda verificada no preço das commodities e das matérias-primas até o fim do primeiro trimestre. A união das forças tem sido a saída encontrada pelas empresas desses setores para reduzir os custos.
A oferta permitiria que a Alcoa, atualmente a número um no mercado, mantivesse sua posição mesmo depois da fusão da Alcan com as duas companhias européias. O presidente da Alcoa, Alain Belda, empresa que no ano passado comprou a Alumax, revelou ter apresentado a proposta em carta enviada ao presidente e diretor-executivo da Reynolds, Jeremiah Sheehan.
A carta de Belda sugere que a Alcoa tem interesse em adquirir metade das ações da Reynolds a um preço unitário de US$ 65 em dinheiro, o que representa um prêmio de 16% sobre a cotação de fechamento do papel na bolsa na terça-feira. A outra metade do controle acionário seria negociada por meio de uma troca de ações na qual os papéis da Reynolds valeriam 0,9784 de cada ação da Alcoa.
No documento, Belda também afirma que sua empresa está disposta a permitir que todos os acionistas da Reynolds negociem as ações que possuem por outras da Alcoa. A julgar pelos dados relatados na carta, a transação já vem sendo estudada desde março, mas só avançou mais em junho, depois que a própria Reynolds anunciou publicamente que estava buscando um parceiro estratégico.
A Alcoa, que tem sede em Pittsburgh, nos Estados Unidos, teve faturamento de US$ 15,3 bilhões no ano passado e opera em 31 países produzindo itens para uso na indústria automobilística, de aviação, construção e embalagens, entre outras. A Reynolds, que tem sede em Richmond, no Estado da Virgínia, opera em 24 países e faturou US$ 5,9 bilhões no ano passado. A companhia é mais conhecida em todo o mundo pelo papel de alumínio para uso doméstico, mas também fabrica papel manteiga e filme plástico para embalagens, além de autopeças, itens para a costrução civil e produtos para embalagem.
Com base nos dados de 1998, juntas as duas companhias teriam produzido 3,8 milhões de toneladas métricas de alumínio primário
enquanto a empresa formada pela fusão da Alcan com as duas concorrentes européias teria sido responsável pela produção de 2 6 milhões de toneladas, conforme dados da consultoria CRU International, especializada em commodities. Os especialistas desse mercado, porém, observam que a fusão anunciada ontem e a possível união da Alcoa com a Reynolds poderão ser submetidas a uma longa disputa com as autoridades encarregadas da legislação antitruste tanto na Europa quanto nos EUA.

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