São Paulo, 17 (AE) - A Alcoa Alumínio vai investir este ano US$ 1 bilhão em novos produtos, no setor de energia elétrica e expansão de refinarias, segundo o presidente da Adjarma Azevedo. Faz parte dos planos a instalação de uma nova planta no País, com 180 novos empregos diretos, ainda no primeiro semestre.
Além da construção da Hidrelétrica de Machadinho e da definição de parceiros para tocar a Usina Térmica de São Luiz do Maranhão - cuja expansão está orçada em US$ 600 milhões - a empresa prepara estudos de viabilidade da Serra Quebrada (Norte) para o processo de privatização no fim do ano. Deverá participar também da concorrência de concessões, em março, da Hidrelétrica de Barra Grande, na divisa do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. "E ainda do processo de privatização da Usina de Tucuruvi", assegura.
Outro ponto de atenção será a expansão da área de extrusão (perfis de alumínio) que, no Brasil, responde por 30% do faturamento de US$ 1,1 bilhão - no Chile, Venezuela e Argentina, que irá receber US$ 30 milhões de investimentos no segmento. "Vamos superar a previsão de faturamento e chegar a US$ 1,250 bilhão", observa. Além da extrusão, o alumínio primário responde por 35%, a laminação por 15% e embalagem 30%. A área de embalagens (garrafas pet) responde por 30% do faturamento. Azevedo prepara ainda o desenvolvimento de novos produtos para o setor automobilístico e para aplicação na construção civil, com 20% das vendas.
Segundo ele, a empresa trabalha com a inflação em torno de 8,5% e não espera por promessas do governo. "Não dá para dizer que ele vai fazer a Reforma Tributária", exemplifica. "Já esquecemos há muito tempo esse tipo de preocupação e vamos ter de sobreviver apesar disso." Mas ele está confiante quanto à retomada de investimentos na área de transmissão de energia elétrica. "Até o governo vai concorrer nas licitações e isso deverá ocorrer antes do prazo esperado", observa.
Segundo Azevedo, há também alguma movimentação positiva ocorrendo na construção civil, de acordo com indicadores de registros e solicitações de plantas na Prefeitura. "Qualquer que seja esse movimento, já será algo sensacional, pois não tem acontecido nada", afirma.
Desperdícios - Boa parte do tempo do novo executivo da Alcoa vai ser dedicado ao Sistema Alcoa de Negócios (ABS), um projeto mundial de redução de desperdícios. Cerca de 60% do quadro atual de 7,5 mil funcionários já está treinado sobre esse modelo e bem adaptado em 40% das 11 fábricas no Brasil. O prazo de entrega na fábrica de extrusão, por exemplo, caiu de 12 dias para 2 dias. "Vamos chegar em 100% até o final do ano", afirma. Se essa meta se confirmar, a economia em termos de redução de custos será de US$ 100 milhões, equivalente a cerca de 10% do faturamento.
Emprego - Novas fábricas, cujos investimentos já foram anunciados, somadas à inauguração de uma outra planta, poderão resultar em até 500 empregos diretos ainda este ano no Brasil. Além disso, haverá a criação de 200 postos de trabalho na Argentina e mais 100 no Chile.
A Venezuela é outro ponto-alvo para a extensão da aquisição da unidade de laminação e extrusão, mas sem garantia de novos empregos. Nesse território, entretanto, a empresa está de olhos bem abertos no segmento de energia elétrica e da produção de 600 mil toneladas de alumíno por ano da CVG, cuja privatização está em processo nos últimos dez anos. "Só a atuação na Venezuela poderá dobrar o tamanho da companhia", afirma.
Exportação - Em 1999 a Alcoa aumentou em 33% as exportações do alumínio primário (lingote), em razão da queda na demanda do mercado externo. A meta, agora, é passar a exportar 20% dos produtos de transformação de alumínio (perfis, chapas, folhas), em vez dos atuais 5% ou menos. "Um componente de exportação é o mesmo que fazer uma operação de hedge". observa. "Ao ampliar a exportação também melhoramos os processos de qualidade, custo e serviços". "Se tudo correr bem, vamos aumentar o faturamento em até 30%", assegura.

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