Alcides Tápias é o novo ministro do Desenvolvimento
Brasília, 06 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso escolheu hoje o empresário Alcides Tápias para suceder o ex-ministro Clóvis Carvalho no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O executivo paulistano Tápias, ex-presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), atualmente trabalhando para a empreiteira Camargo Corrêa, foi candidato a ministro neste mandato de Fernando Henrique. Foi escolhido por ter interlocução privilegiada com o empresariado paulista, sem ser ligado ao setor industrial, e pela independência.
Tápias foi convidado hoje à tarde por Fernando Henrique e aceitou o convite, mas não vai participar da reunião ministerial de quarta-feira (08) por ter ainda de se desligar da empreiteira. O porta-voz da Presidência da República, Georges Lamazire, informou que ainda não há data para a posse do novo ministro. Lamazire informou também que Tápias foi o único convidado pelo presidente para o cargo de ministro do Desenvolvimento.
A decisão de Fernando Henrique, de nomear Tápias para o cargo, ocorreu menos de 48 horas depois da demissão de Carvalho. Fernando Henrique passou o dia de ontem (05) em Brasília, analisando possíveis candidatos. Discutiu opções com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylberztajn, no Palácio da Alvorada, ainda ontem. Hoje, almoçou com o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, e recebeu o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente.
Segundo fontes do Palácio do Planalto, o presidente conheceu Tápias no cargo de ministro da Fazenda, quando ele presidia a Febraban. "Fernando Henrique gostava das posições que Tápias assumiu frente à Febraban, que ajudaram muito no Plano Real", informaram assessores . A expectativa do Planalto é de que o executivo dinamize o projeto de crescimento do governo, sem pressionar por mais gastos públicos. "Ele tem larga experiência no setor privado e trará criatividade para execução dos projetos do governo, além de servir de interlocutor junto ao empresariado para alavancar investimentos para o plano Avança Brasil!", disse o assessor.
O fato de não ser ligado a partidos políticos, nem à equipe econômica liderada por Malan, na avaliação de assessores palacianos, é outro ponto em favor de Tápias. Ele não disputará com nenhum dos dois grupos e se reportará diretamente ao presidente, evitando focos de atrito, que derrubaram o antecessor.
No fim da tarde, Tápias entrou no Alvorada praticamente ministro. Malan, intermediário do governo para a sondagem, participou da audiência. Segundo um ministro de Estado, antes de vir para a conversa, Tápias quis saber se teria autonomia para conduzir a pasta. O presidente, por meio de interlocutores, garantiu que sim.
Fernando Henrique sequer autorizou a sondagem de outros candidatos ao cargo, como o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andrea Calabi, o ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, ou mesmo o professor Marcelo Paiva Abreu (da Pontifícia Universidade Católica do Rio), outros nomes sugeridos como opções.
O senador gaúcho Pedro Simon (PMDB), que pediu a demissão de Carvalho e defendeu Malan, teve reação negativa imediata ao nome de Tápias, ainda antes da confirmação oficial. "Não acredito", reagiu, com surpresa. "O Fernando Henrique vai nomear um representante de banqueiro para o ministério?", perguntou.
Segundo o senador, o Bradesco, para o qual Tápias trabalhava, foi o maior banco envolvido na emissão de títulos precatórios, que motivou a criação da comissão parlamentar de inquérito (CPI) com o mesmo nome, no Senado. Simon disse acreditar que o relator da CPI, senador Roberto Requião (PMDB-PR), vai insistir em saber como é que os R$ 5 bilhões de precatórios da Prefeitura de São Paulo, que estavam sob a guarda do Bradesco, foram parar no Banco do Brasil (BB). "O Requião chamava isso de corrente da felicidade: ninguém perdia e o governo assumia tudo."
O deputado Ubiratan Aguiar (PSDB-CE) disse que o nome do sucessor de Carvalho não tem importância nenhuma. O que tem de ser feito, na opinião dele, é uma política governamental que acabe com a atual estagnação da economia.
No ninho tucano paulista, a nomeação foi recebida com reservas, sem demonstrações de entusiasmo. Tirar Carvalho do posto era desejo expresso do grupo, mas não imaginavam que o sucessor viesse do sistema financeiro, sem qualquer identificação com o PSDB, para o qual a pasta foi concebida. "Vamos ver como ele se sai", comentou um tucano do grupo conhecido como "desenvolvimentista". Fontes da equipe econômica consideraram Tápias "banqueiro demais", ao serem abordados sobre a opção.





