Alcides Lopes Tápias quer imprimir ritmo do setor privado
Brasília, 14 (AE) - O novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Lopes Tápias, anunciou hoje, no discurso de posse, no Palácio do Planalto, que pretende imprimir à gestão o ritmo de trabalho que tem caracterizado a atividade dele no setor privado e que espera, dentro de 30 dias, encaminhar ao presidente Fernando Henrique Cardoso uma exposição de motivos com a apreciação das atividades em curso no ministério e propostas concretas de reajustes que venha a considerar convenientes.
Tápias afirmou ter consciência dos problemas que entravam o atendimento aos anseios de cidadania e de justiça social de mais de 160 milhões de brasileiros que não podem deixar de ser atendidos.
"Considero, no entanto, que a maneira adequada de os resolver não é apontar culpados, mas apontar soluções", declarou Tápias. "Não pretendo, portanto, participar de debates sobre pessoas ou modelos de política econômica e social; dedicar-me-ei, em tempo integral, ao cumprimento das diretrizes que recebi do presidente da República; vou empenhar-me, assim, no mutirão oficial que vai resultar na materialização das propostas agora apresentadas no Avança, Brasil, cujo lançamento restituiu a confiança no crescimento do País, tanto no âmbito interno quanto nos cenários internacionais."
Tápias afirmou que não tem nem nunca teve atividade partidária. "Política não foi, jamais, a minha opção de vida; no entanto, a conveniência com os políticos e as observações que fiz dos homens que se dedicam à vida pública foram sempre enriquecedoras", afirmou o ministro.
"Aprendi muito e quero continuar aprendendo, agora que estou mais perto." O novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior lembrou que, como representante da iniciativa privada no Conselho Monetário Nacional (CMN), do qual fez parte no passado, se manteve sempre fiel às convicções e às responsabilidade que decorriam do mandato que recebera.
Ele disse que criticou ações do governo muitas vezes, mas procurou sempre olhar o outro lado e oferecer opções, buscando reduzir as divergências e facilitar as soluções.
"Essas considerações me levaram a refletir que chegaria a hora, um dia , em que eu teria de passar do lado que critica ou apresenta demandas para o lado de quem executa ou de quem ajuda a fazer", comentou o ministro.
"A hora surgiu, e não hesitei um só instante na certeza de que posso oferecer ao País uma dedicada colaboração neste momento importante da vida brasileira", afirmou Tápias.
"Todos sabem que, para chegar ao desenvolvimento sério e sustentado, o caminho básico é um só; ele passa pelo equilíbrio fiscal, pela responsabilidade fiscal e pela seriedade da administração das receitas e das despesas governamentais, não só na área federal como nos Estados e municípios."
Segundo ele, o compromisso assumido pelo governo de iniciar o novo século com um crescimento anual de 4% na economnia "não é um sonho". "É meta realizável."
Ele, no entanto, advertiu: "Só que não chegaremos lá se a missão couber apenas ao governo - ou parte dele - e não se transformar numa cruzada de todos os segmentos da economia e da sociedade brasileira", acrescentou.
"Concordo com o ministro Pedro Malan (Fazenda), quando diz que a agenda do desenvolvimento econômico e social do Brasil de hoje se confunde com a agenda das reformas tributária, previdenciária e trabalhista, além da Lei de Responsabilidade Fiscal", afirmou ainda o ministro. "Acredito que esses são avanços que precisam e devem mudar de forma ampla o regime fiscal do Brasil, o que é muito mais do que o pretendido e necessário ajuste fiscal."
Tápias deixou claro que está afinado com o propósito do presidente Fernando Henrique Cardoso de evitar que divergências internas no governo sejam resolvidas em público.
"Procurarei agir como homem de equipe, acostumado a lidar com diferenças de opinião, apoiado apenas na convicção de que as posições divergentes têm de ser resolvidas dentro da própria equipe, com todos se comprometendo antecipadamente a defender com ênfase a tese que prevalecer, a diretriz que for aceita pela maioria."
O novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio disse ainda que entende que o desenvolvimento é muito mais que a tarefa de um ministério ou de um ministro.
"Ela é missão de todo o gabinete, de todas estruturas da adminsitração direta e indireta do País." De acordo com o ministro, o desenvolvimento é a opção maior de Fernando Henrique
"que, em nenhum momento, se dispôs a brincar de progresso".
Tápias recordou que, quando Fernando Henrique estava no Ministério das Relações Exteriores e, posteriormente, no da Fazenda, no governo do ex-presidente Itamar Franco (PMDB), teve ocasião de ouvir as idéias dele e refletir sobre os projetos, "sempre apoiados no conceito de seriedade que marcou o Plano Real".
Segundo Tápias, são objetivos que traduzem os anseios da Nação "e que eram, como o são, realizáveis, desde que o governo e o Congresso faça m a sua parte, e a cidadania seja, como tem sido, uma parceira atuante, enérgica e decidida a trilhar os novos caminhos".
Tápias prometeu empenhar o ministério na luta pelo aumento da eficiência e da competitividade do setor privado, nos mais diversos segmentos da economia.
De outra parte, na mesma luta pela eficiência, prometeu que fará tudo para sensibilizar as lideranças nacionais para que estimulem as autoridades federais, estaduais e municipais a adotar, no setor público, as modernas práticas de gestão usadas nas atividades privadas.
O ministro avaliou que "há evidências nítidas de que melhoraram as condições da nossa economia". Segundo ele, "sem comprometer o equilíbrio das contas públicas, o governo está sinalizando os novos rumos e estimulando os ajustes da produção e do consumo, cuja reação é essencial para superar a crise e alargar as portas para a retomada do desenv olvimento". Tápias lembrou, a propósito, a redução, pelo Banco Central (BC), do recolhimento compulsório dos depósitos a prazo dos bancos, bem como do compulsório dos depósitos à vista.
Só essas duas medidas, segundo ele, fazem prever uma injeção extra de liquidez de pelo menos R$ 13 bilhões nos canais da economia. O ex-ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Milton Seligman, fez um discurso em nome do ex-ministro Clóvis Carvalho.
Segundo Seligman, Carvalho agradecia ao presidente a oportunidade de ter participado da equipe e das transformações que o País vem passando. Seligman manifestou ainda a certeza de que os avanços em curso no País, sob a liderança de Fernando Henrique vão pôr o Brasil em "dias melhores".
Tápias disse que "os resultados já são visíveis". "Vemos nos jornais todo o sistema bancário anunciando baixa dos juros, inclusive para o consumidor final."
Ainda segundo ele, "o real está recuperando valor, o País voltou a colocar títulos no mercado internacional e as notícias ruins estão saindo das manchetes para os pés-de-página".
"O Estado de espírito mudou tão rápido que dá a impressão de que o ocorrido foi, talvez, mais um frustrado ataque especulativo dos que só apostam nas tragédias e, tanto na economia quanto na política, se entristecem ao saber que o Brasil não saiu dos trilhos". Além de um grande número de empresários, estão presentes à posse de Tápias todos os ministros. Entre eles, Malan e os da Saúde, José Serra, e da Casa Civil, Pedro Parente, os presidentes do BC, Armínio Fraga Neto, e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andréa Calabi.
O presidente da Federação das Indústrias deo Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, disse que o novo ministro do Desenvolvimento pode dar uma colaboração importante ao governo para a redução das taxas de juros, pelo passado dele na administração de uma grande banco como o Bradesco. Segundo Piva
Tápias pode ser um parceiro importante de Fraga Neto, que tem tomado medidas muito ousadas para a redução dos juros, "tendo surpreendido o próprio mercado".
Na opinião do presidente da Fiesp, Tápias é "talhado para o cargo", pois tem opiniões fortes e firmes. Outra vantagem, na avaliação de Piva, é que Tápias não é um político.
"Se, por um lado, isso pode trazer problemas para ele, por outro, mostrando resultados, pode afirmar-se por aí", disse Piva. Para o presidente da Fiesp, há um certo desânimo em relação ao Ministério do Desenvolvimento que, em pouco mais de oito meses, está no terceiro ministro.
"Ou vai dar certo com o Tápias, ou o que não deu certo é a idéia do Ministério do Desenvolvimento", afirmou. Na opinião de Piva, o País tem condições de crescer, sem que haja aumento da inflação. "O Brasil não pode pensar em não crescer"
ressaltou.





