Belo Horizonte, 13 (AE) - A Alcan Alumínio do Brasil fará um investimento de US$ 45 milhões na instalação de equipamentos para controle e solução de problemas ambientais de sua fábrica de Ouro Preto (MG). Os investimentos serão aplicados no período de 1999 a 2004, quando a empresa estará concluindo sua quarta etapa de investimentos no setor de meio ambiente.
A maior parte destes investimentos - cerca de US$ 26 milhões - será destinada à implantação de um novo sistema de lavagem de gases a seco, desenvolvida pelos técnicos da própria fábrica de Ouro Preto. O equipamento, denominado Dry Scrubber, substituirá as atuais torres lavadoras de gases, que utilizam água para o processo de filtragem dos gases produzidos na elaboração do alumínio na fábrica.
Até 2004 a empresa fará a substituição das quatro torres de lavagem ligadas à linha 3 de produção. Para cada torre substituída serão instalados dois Dry Scrubbers. A partir de 2004 a empresa inicia o processo final de troca dos equipamentos
instalando outros seis Dry Scrubbers em lugar das três torres de lavagem da linha 2 de produção. A linha 1 está desativada desde 1991.
Segundo Marco Antônio Palmieri, gerente da unidade da Alcan em Ouro Preto, os novos equipamentos permitirão uma redução drástica na emissão de gases pela fábrica. De acordo com cálculos da empresa, o Dry Scrubber tem uma eficiência mínima de 96% no controle de emissão, podendo atingir 99%. Atualmente as torres de lavagem permitem um percentual de controle de cerca de 65% destas emissões.
O relatório e o planejamento de controle ambiental da empresa para estes próximos cinco anos foram encaminhados aos órgãos de controle ambiental do Estado no final de fevereiro. Estes órgãos tem um prazo de 120 dias para conceder ou não a aprovação do projeto.
Segundo Palmieri, a Alcan está se adiantando a possíveis legislações ambientais que possam vir a ser implantadas nos próximos anos. "Estamos atendendo uma legislação que poderá entrar em vigor nos Estados Unidos e no Canadá em 2015", lembra.
Apesar dos atuais equipamentos não terem uma taxa de controle de emissões tão apurado quanto o que o Dry Scrubber permitirá, o consultor de Meio Ambiente da empresa, álvaro Boechat, lembra que a empresa cumpre as atuais determinações de controle ambiental. Pela atual legislação a emissão de partículas pode atingir até 150 miligramas por metro cúbico. A fábrica de Ouro Preto tem uma emissão média de 80 miligramas por metro cúbico.
Além da instalação destes equipamentos a empresa estará implantando neste período (1999 a 2004) novas máquinas de operação das linhas de produção. Apesar do aumento de eficiência dos equipamentos, não haverá alteração em termos de custos operacionais. A empresa deve manter nos próximos anos os investimentos de US$ 1,5 milhão anuais para custos operacionais destes equipamentos.
As reduções de custo dentro da empresa devem ser alcançadas através do aumento de geração de energia própria. Atualmente a empresa tem participação em seis hidrelétricas, o que permite uma geração própria de 25% do total de energia consumida na fábrica. A energia representa cerca de 40% do custo de produção da Alcan em Ouro Preto. "Estamos estudando a recapacitação de nossas hidrelétricas e a participação de novos consórcios, mas tudo está ainda no papel", avisa Palmieri.
Outra possibilidade de redução de custos com energia é a utilização de contratos de pré-compra de energia. Este ano a Alcan já firmou um contrato com a Cemig para compra de 75% de sua demanda de energia para os próximos dois anos. "Estamos fazendo um hedge em energia", lembra Palmieri.
Este contrato permitiu à Alcan não ter um impacto tão grande em consequência do aumento de 16,25% nas tarifas da energética mineira, anunciado na semana passada. "O impacto do reajuste só será sentido nos 25% de energia que compramos da empresa", explica o gerente da unidade de Ouro Preto.

mockup