São Paulo, 20 (AE) - A Alcan Alumínio do Brasil, subsidiária da Alcan canadense, está planejando investir, a partir do próximo ano, US$ 40 milhões na construção de duas usinas na unidade de Ouro Preto (MG) para produzir energia elétrica própria. A fábrica mineira já conta com uma usina, responsável pela geração de 25% da energia utilizada pela companhia. O projeto, que só falta ser aprovado pela diretoria da Alcan, poderá aumentar para 50% a capacidade geradora.
Em Santo André (SP), a Alcan também pretende investir mais US$ 30 milhões para aumentar, em 40%, a capacidade instalada da unidade, que produz laminação de folhas finas de alumínio para embalagens descartáveis. O investimento deve se somar aos US$ 10 milhões já aplicados nesta unidade para aumentar, também em 40%, a capacidade de produção, que já verificou crescimento significativo, de 20 mil toneladas em 1998 para 30 mil toneladas atualmente. Segundo o presidente da companhia no Brasil, João Bosco Silva, o mercado de laminação está crescendo sensivelmente. João Bosco informou que a Alcan registrou em 1999 aumento de 3% no volume de vendas em relação a 1998.
A última grande empreitada foi a expansão do Complexo de Laminação em Pindamonhangaba (SP), iniciada em 1997 e inaugurada este ano, que exigiu recursos de US$ 370 milhões, o maior projeto já realizado pela companhia fora do Canadá. A partir de agora, o volume de produção crescerá de 120 mil toneladas/ano para 280 mil/ano.
Os altos investimentos para expansão de fábricas no Brasil estão sendo acompanhados pelas expectativas positivas que a empresa projeta para o futuro. Só o volume de vendas previsto para 99 (180 mil t) deve registrar aumento de aproximadamente 10% sobre o volume do ano passado (164 mil t). Para o próximo ano, as estimativas são melhores. Deverão ser vendidos 230 mil toneladas, resultado 27,8% superior ao esperado para este ano.
Em termos de receita, entretanto, a Alcan deve fechar 1999 com variação negativa, de 4,34%, ante o resultado apresentado no ano passado. A companhia prevê para este ano receita de vendas de US$ 353 milhões contra US$ 369 milhões em 1998. Em contrapartida, para o ano 2000, as vendas devem superar em 32,58% o valor deste ano, apontando para um resultado de US$ 468 milhões. Segundo Bosco, as exportações da Alcan correspondem atualmente a 20% da produção. Em 99, a companhia estima exportar US$ 84 milhões ante os US$ 50 milhões de 1998.
Apesar dos investimentos e das expectativas de crescimento, a Alcan, segundo seu presidente, ainda encontra dificuldades no mercado nacional para competir com o alumínio importado. João Bosco argumenta que "os impostos PIS/Cofins incidem em cascata na cabeça do empresário brasileiro, chegando a 2,65%, que sobem para 3,5% quando também é calculado o ICMS". O presidente da Alcan diz que a indústria não pode repassar os reajustes dos impostos aos clientes. Por isso, diz, o setor reclama do governo isonomia de impostos, até que a reforma tributária seja realizada. "Não queremos que o produto importado pague menos impostos do que o nacional, mas que pague igual", afirma.
Para João Bosco, a indústria do alumínio brasileiro reduziu as exportações em 20% nos últimos cinco anos. Ele diz também que no 1º semestre, em razão da desvalorização do real, o mercado nacional observou retração. A transformação do lingote e chapa, por exemplo, teve redução na margem dos preços entre 20% e 30%. "A mudança cambial provocou a redução da produção nacional, porque os lojistas começaram a prestar mais atenção no vidro e no plástico. E, como a matéria-prima é uma comodittie internacional, o preço do produto no mercado interno também ficou sendo cotado em dólar", explicou João Bosco.
Segundo estimativas da empresa, a demanda no mercado interno de latas de alumínio tem potencial de crescimento de 20% ao ano. Em 1999, a produção no País deve ser igual a do ano passado, de 9 bilhões de latas. Para o ano 2000, estima-se aumento de 7%. A Alcan, única empresa no Brasil capaz de produzir chapas para a fabricação de latas de bebidas, está de olho neste mercado. Dos US$ 300 milhões pagos para a importação de chapas de alumínio, 70% são para latas de bebidas. "Com a expansão da fábrica de Pindamonhangaba, a companhia já tem capacidade para suprir a demanda", garante João Bosco.
Participação de micro e pequenas As micro e pequenas empresas aumentaram em 8% a participação no mercado de laminação no último ano, segundo João Bosco, presidente da Alcan. A Kofar Produtos Metalúrgicos, uma das distribuidoras autorizadas da Alcan para as pequenas e micro, verificou curva de tendência ascendente, a partir de julho de 99, da participação deste setor. Tomando julho como base cem, segundo o diretor comercial da Kofar, Osmar Marcchione, as micro e pequenas apresentaram recuperação de 10% no segundo semestre em relação ao primeiro. Em agosto, o patamar permaneceu o mesmo, mas em setembro e outubro, o salto foi bastante expressivo, de 50%. Marcchione explica que o crescimento é natural por causa da sazonalidade, mas que em novembro e dezembro deste ano, o patamar ficará 20% superior ao mesmo período do ano passado.
No primeiro semestre, a Kofar embarcou 500 toneladas de laminados, chapas e produtos semielaborados para cerca de 100 micro e pequenas empresas que atende no Brasil. No segundo semestre, de acordo com estimativas de Marcchione, o resultado deve saltar para 700 toneladas. "Antes da desvalorização cambial, a Kofar trabalhava com a expectativa de entregar 2000 toneladas até o final de 99", afirmou. A distribuidora deve fechar 99 com faturamento igual a R$ 7,5 milhões (só em vendas para micro e pequenas), valor 50% superior ao verificado no ano passado.

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