RAMBOUILLET, França, 22 (AE-REUTERS) - A secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright aumentou a pressão nesta segunda-feira (22) para persuadir albaneses étnicos a aceitarem um acordo de paz para Kosovo, mas autoridades norte-americanas disseram que nenhum dos lados envolvidos no conflito forneceu um "Sim" incondicional.
Albright passou horas reunida com os delegados albaneses étnicos, recebeu o comandante supremo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Europa - que foi à França para encontrá-los - e deu telefonemas ao redor do mundo em uma tentativa de conseguir aceitação.
Mas o porta-voz do Departamento de Estado, James Rubin, disse a jornalistas cobrindo as conversações em Rambouillet, nas proximidades de Paris: "Esta é uma daquelas situações nas quais você não está lá até você chegar lá. E nós ainda não chegamos lá."
"É difícil ser otimista. Nós estamos trabalhando o máximo que podemos", garantiu.
Enquanto, as negociações entravam em seu 16º dia, o Exército da Iugoslávia (Sérvia e Montenegro) e guerrilheiros de etnia albanesa do Exército para a Libertação de Kosovo (ELK) retomavam os combates na província sérvia e provocavam um novo êxodo de civis.
"Desconhecemos o número de baixas", disse Sandy Blyth, porta-voz da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que mantém 1.300 observadores internacionais na região. "Dois de nossos homens foram agredidos por policiais sérvios durante o cumprimento de sua missão."
Os combates duraram mais de três horas na manhã de hoje na região noroeste do território, habitado majoritariamente por albaneses étnicos - 98% da população.
Uma coluna de dez veículos militares sérvios foi atacada pelos rebeldes na localidade de Vucitrn, 25 quilômetros ao norte de Pristina, e reagiu, acrescentou Walter Ebenberger, um verificador da OSCE. "Sabemos que as forças sérvias pediram reforços, incluindo dois tanques e um veículo blindado de transporte de tropas."
Os combates em Vucitrn e "exercícios militares" sérvios nas proximidades das aldeias kosovares de Dela, Okrastica e Stitarica, a 50 quilômetros a nordeste da capital, provocaram mais um êxodo de civis. "Velhos, mulheres e crianças estão fugindo em tratores, carroças e até a pé", disse Fernando del Mundo, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).
Os conflitos em Kosovo já causaram cerca de 2.000 mortes e deixaram mais de 250 mil desabrigados nos últimos 12 meses.
Segundo o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, James Rubin, houve "algum" progresso nas negociações, cujo prazo para um acordo termina amanhã, às 11 horas de Brasília.
Mas albaneses étnicos e sérvios continuavam oferecendo muita resistência em pontos-chave do acordo. Os primeiros exigiam a inclusão de dispositivos que lhes permitam proclamar, no futuro, a independência - reivindicação rechaçada pelos sérvios e pelo Grupo de Contato (EUA, Rússia, Grã-Bretanha, França, Itália e Alemanha), patrocinador da reunião.
Os sérvios, por sua vez, rejeitam categoricamente a presença de uma força internacional em Kosovo para garantir a aplicação de todas as fases de um eventual acordo.

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