Albright termina visita à China elogiando relações
Pequim, 02 (AE-REUTERS) - A secretária de Estado americana, Madeleine Albright, encerrou hoje (02) uma visita de dois dias à China marcada por confrontos, dizendo que os laços bilaterais estavam nos trilhos apesar de duras disputas sobre direitos humanos, comércio e Taiwan.
Falando após reunir-se com o presidente Jiang Zemin, Albright reafirmou o comprometimento de Washington com a formação de uma "parceria construtiva estratégica" com a China.
"Nossa relações, enquanto ainda longe de nosso objetivo, alcançou o ponto onde pode suportar mesmo profundos desacordos", disse ela.
Mas ela também emitiu uma severa advertência a Pequim sobre a deterioração dos direitos humanos no país, afirmando que Washington nunca deixará de levantar a espinhosa questão em conversações com a China.
"Tudo dito, é justo falar que em nossas relações com a China estes não são os melhores tempos nem os piores".
Os direitos humanos ficaram no centro das atenções durante a visita que teve como objetivo pavimentar o caminho para uma visita em abril a Washington do primeiro-ministro Zhu Rongji.
A divulgação na sexta-feira de um relatório do Departamento de Estado dos EUA criticando duramente as violações dos direitos humanos na China foi a faísca que provocou o incêndio.
Pequim alimentou a controvérsia detendo o dissidente Wu Yilong e sentenciando o defensor da democracia Peng Ming a trabalhos forçados na véspera da chegada de Albright.
Durante suas conversações com os líderes chineses, Albright insistiu na necessidade de Pequim relaxar seu controle sobre a liberdade de expressão e construir uma democracia multipartidária.
A China fincou pé, argumentando que cada lado tem uma definição diferente de direitos e deveriam se concentrar em consultas, e não em confrontos.
"Os dois lados deveriam expandir o diálogo nesta questão a fim de promover as relações bilaterais", afirmou o porta-voz do Ministério do Exterior, Zhu Bangzao. "Diferentes visões deveriam ser tratadas com respeito mútuo e sob os princípios de não interferência nos assuntos internos de cada um".
Em dezembro último, três veteranos ativistas receberam longas sentenças de prisão por terem tentado registrar um partido político de oposição. Desde então, cinco outros dissidentes foram enviados para campos de trabalhos forçados sem julgamento, quatro sob acusação de terem contratado prostitutas.
"Tentar organizar um partido político não é uma ameaça ou um crime, é um direito garantido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos", disse Albright numa entrevista coletiva.
"Os chineses expressaram insatisfação com nossas condenações de recentes prisões e julgamentos injustificados e com o relatório da semana passada do Departamento de Estado documentando generalizadas violações dos direitos humanos", afirmou ela.
"Mas os Estados Unidos nunca irão pedir desculpas por falarem ou publicar a verdade".
Disputas comerciais também foram destaque na agenda de Albright em meio a crescente preocupação no Congresso americano com o aumento de déficit comercial dos EUA e rixas sobre os termos da entrada de Pequim na Organização Mundial do Comércio.
Pequim busca ser admitido na OMC com termos mais amenos oferecidos a nações em desenvolvimento. Mas os Estados Unidos, que tiveram um déficit comercial de US$ 57 bilhões com a China no ano passado, afirmam que ela é grande demais para se unir à OMC nos mesmos termos dos mais pobres do mundo.
Albright também respondeu às críticas da China a uma proposta americana de se estabelecer um sistema de defesa de mísseis na ásia.
O plano, visando proteger tropas americanas na linha de frente de mísseis da Coréia do Norte, poderia trazer Taiwan para baixo de um guarda-chuva de defesa regional.
Pequim argumenta que o abrigo iria alimentar sentimentos de independência em Taiwan e é uma violação de um acordo sino-americano sobre venda de armas para a ilha.
"Nos opomos ao uso da situação (na Coréia do Norte) para fortalecer alianças militares e aumentar capacidades", disse Zhu. "Isso não iria conduzir à paz e estabilidade".
Albright viajou hoje para a Tailândia. Ela segue quinta-feira para a Indonésia e no dia seguinte volta para os EUA.





