Alexandria, 02 (AE-AP) - Israel e a Autoridade Palestina (AP) não conseguiram nesta quinta-feira (02) acertar um acordo de paz a tempo para que a secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, testemunhasse sua assinatura no Egito.
A chefe da diplomacia norte-americana chegara hoje ao Egito esperando acompanhar a assinatura, mas o acordo não saiu e ela acabou partindo para Israel às 22h45 (duas horas mais tarde que o previsto), depois de manter uma reunião inesperada com o presidente da AP, Yasser Arafat.
Não foram imediatamente divulgados detalhes sobre o encontro. Antes, a secretária de Estado se reunira com o presidente egípcio Hosni Mubarak e falara por telefone com o primeiro-ministro israelense Ehud Barak na tentativa de romper o impasse entre Israel e AP.
Uma nova versão do acordo de Wye Plantation, que prevê a desocupação de 13,1% da Cisjordânia pelas tropas israelenses, está praticamente pronto, mas falta resolver a questão dos prisioneiros palestinos.
Segundo fontes da AP, o problema é o destino de 44 prisioneiros mantidos por Israel, entre eles membros dos grupos extremistas Hamas e Jihad Islâmica. Como parte do acordo revisado, Israel dispôs-se a libertar 356 palestinos, mas a AP reivindica a libertação de 400.
Um ministro do gabinete de Barak, Haim Ramon, disse que, se os palestinos rejeitarem a oferta israelense, Israel cumprirá "à risca o que está escrito" no pacto original de Wye, firmado em outubro nos Estados Unidos - uma indicação de que menos prisioneiros serão soltos. "Estou certo quanto a isso: serão menos, não mais de cem", disse ele à Rádio Israel. O acordo original inclui um compromisso apenas verbal de Israel de libertar 750 palestinos.
Antes de deixar Alexandria, Albright mostrou-se otimista quanto à obtenção de um acordo. "As negociações prosseguem e esperamos que cheguem a um resultado", afirmou a diplomata. Corresponde às partes envolvidas adotar as decisões difíceis."
O chanceler egípcio, Amr Moussa, afirmou que o acordo pode ser assinado "em horas ou dias", acrescentando: "Será no Egito."
O novo pacto fixa um prazo de um ano para a conclusão de um tratado sobre o status final da Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, ocupadas por Israel na Guerra dos Dias, em 1967. Os palestinos querem que Jerusalém Oriental seja a capital de seu sonhado Estado. Israel, porém, considera Jerusalém sua capital eterna e indivisível.
Ainda hoje, uma pesquisa de boca-de-urna apontou a vitória do falcão direitista Ariel Sharon na eleição interna para a liderança do partido direitista Likud. Sharon já ocupa interinamente o posto, em substituição a Benjamin Netanyahu, derrotado pelo trabalhista Barak nas eleições de maio para a chefia do governo israelense.
Segundo a sondagem, divulgada pelo Canal 2 da TV, o polêmico ex-chanceler Sharon, de 71 anos, obteve 46% dos votos dos membros do partido, batendo o ex-ministro das Finanças Meir Sheetrit e o prefeito de Jerusalém, Ehud Olmert, cada um com 13%.

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