Albright: ação da Otan não é precedente para futuras intervenções
Nova York, 29 (AE-AP) - Refletindo uma sutil mudança no pensamento da Casa Branca, a secretária de Estado Madeleine Albright disse que a intervenção da Otan em Kosovo não deveria ser vista como um sinal de que a aliança irá intervir em outros conflitos.
"Alguns esperam, e outros temem, que Kosovo seja um precedente para intervenções similares em todo o globo", afirmou Albright na noite de segunda-feira no Conselho de Relações Exteriores. "Eu pediria cautela em relação a qualquer conclusão apressada do tipo".
Antes da crise de Kosovo, a administração tinha pressionado membros da Otan para considerar a expansão para além da Europa do alcance da aliança defensiva como forma de manter um importante papel no mundo pós-Guerra Fria.
Mas a maioria das nações européias se opôs à idéia e apenas com relutância concordou em 1995 a agir fora das fronteiras da Otan lançando ataques aéreos limitados contra forças sérvias na Bósnia e então com uma missão de paz para parar a limpeza étnica.
A campanha de bombardeios de 11 semanas da Otan contra a Iugoslávia para proteger albaneses étnicos em Kosovo demonstrou que os aliados ainda têm muito trabalho a fazer para garantir o futuro da Europa. Assim, no 50º aniversário da Otan em abril em Washington, autoridades dos EUA recuaram de um pedido específico pela expansão do papel global da aliança.
"Toda circunstância é única", disse Albright na segunda-feira. "A Otan é uma instituição européia e atlântica - não uma global".
Albright afirmou que qualquer decisão sobre usar a força contra outro país será tomada pelo presidente depois de pesar uma série de fatores.
Ela também acredita que o bombardeio da Otan contra a Iugoslávia irá impedir que futuros regimes no mundo se utilizem da repressão.
"Ao colocarmos uma luz vermelha na frente de maciça limpeza étnica nos Bálcãs, tornamos menos provável que a Otan será chamada para usar a força no futuro", disse Albright.
Ela expressou otimismo em relação ao futuro de Kosovo, citando fortes comprometimentos feitos pelos Estados Unidos e Europa com a reconstrução da província e previu uma cooperação por parte dos albaneses étnicos de Kosovo.
A Rússia tem um importante papel a desempenhar, apesar de sua oposição à campanha aérea da Otan e a ocupação do aeroporto de Pristina por forças russas antes de as tropas da Otan entrarem na península, afirmou ela.
"Eles vêem que é do interesse deles que não haja caos na península balcânica", disse.
Albrigth afirmou que entendia o desejo da etnia albanesa de independência de Kosovo, mas ela disse que a retirada das tropas e grupos paramilitares sérvios mudou a realidade em campo.
"Até agora, a independência parecia ser a única alternativa à repressão. Mas no futuro, os kosovares terão algo que nunca tiveram, que é um genuíno governo autônomo", afirmou.
Albright pediu aos países doadores que cumpram suas promessas de ajudar na reconstrução da província e repetiu que os Estados Unidos não irão oferecer qualquer ajuda de reconstrução para o resto da Iugoslávia - apenas ajuda humanitária - até que o presidente Slobodan Milosevic esteja "fora de ação, ou melhor ainda, na cadeia".





