Vitória, 07 (AE) - O procurador-geral da República no Espírito Santo, Ronaldo Albo, disse hoje, em depoimento à CPI do Narcotráfico, que há empresários dos setores de importação, exportação, turismo, jogos de azar, bingos e imobiliário envolvidos com a lavagem de dinheiro realizada por quadrilhas ligadas ao traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e a Antônio Carlos Martins, o Toninho Mamão.
"O crime organizado tem cara, rosto e identidade no Espírito Santo", disse Albo, que só revelou os nomes dos empresários em depoimento reservado à Comissão, que desembarcou ontem em Vitória para obter informações sobre o crime organizado e o narcotráfico no Estado.
O procurador disse ainda que há fatos que provam que o Espírito Santo foi usado por integrantes do cartel de Cáli, da Colômbia, como rota de saída da cocaína para a Europa e os Estados Unidos.
Em 1996, quando foi preso pela polícia mineira, Fernandinho Beira-Mar revelou que tinha vários imóveis em Guarapari, no litoral do Estado, e também 13 contas em uma agência da Caixa Econômica Federal (CEF), em Alfredo Chaves, no sul do Estado. Segundo Albo, essas contas serviam para lavar dinheiro do narcotráfico.
Toninho Mamão, citado no depoimento pelo procurador, fazia parte da quadrilha do holandês Ronald Van Coolwijk, preso em flagrante em 9 de março de 1995, quando tentava embarcar para Holanda com 670 quilos de cocaína no porto de Catuaba, em Vila Velha. A carga estava em nome da empresa WJF Importação e Exportação Ltda. de propriedade de Mamão e seu irmão, Marcelo Martins. Um ano e meio depois de ser preso, Coolwijk conseguiu fugir da cadeia.
Segundo a CPI, há denúncias de envolvimento de um prefeito e de um ex-vereador do norte do Estado com o esquema de Mamão, que era dono da Armazém Verdes Mares, em São Matheus, norte capixaba
onde a droga que iria ser embarcada havia sido acondicionada.
No norte do Espírito Santo, de acordo com o Superintendente da Polícia Federal , Armando Possa, é a região onde há maior número de pistas clandestinas utilizadas por quadrilhas de traficantes - em sua maioria ligadas a grupos de Rondônia e Mato Grosso.
Gratz - O deputado federal Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), integrante da CPI do Narcotráfico, disse ontem que não tem mais dúvidas do envolvimento do presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, José Carlos Gratz, com o crime organizado e a contravenção no Estado.
Segundo Biscaia, Gratz é o representante no poder legislativo de uma rede de influência política que impede as investigações de crimes no Espírito Santo. Biscaia disse ainda que essa rede tem uma conexão com o poder Judiciário, na qual, na maioria das vezes, esses crimes são arquivados e os autores, absolvidos.
"Contra o deputado Gratz, temo não só informações testemunhais como também documentos que provam o envolvimento dele em casos de corrupção e contravenção", disse Biscaia, um dos integrantes de um grupo de três deputados da CPI que chegou hoje de manhã a Vitória.
As informações do deputado estão no relatório sobre o crime organizado preparado pelo delegado FransicoVicente Badenes, chefe da Assessoria de Inteligência da Polícia Civil durante o governo de Vitor Buaiz. Badenes foi o primeiro a depor ontem na CPI, em caráter reservado, durante duas horas e meia.

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