Brasília, 27 (AE) - O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, vai promover em breve uma "limpeza" no escritório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no Rio. Entre os que serão afastados estão o chefe do escritório, João Guilherme Maia, e o agente Temilson Antônio de Barreto Resende, o "Telmo", acusado pelo ex-policial Célio Rocha de tê-lo convidado para instalar escuta telefônica no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), durante a privatização da empresa Telecomunicações Brasileiras (Telebrás).
Cardoso não quis antecipar qualquer tipo de mudança, nem sequer confirmar que funcionários serão afastados, sob a alegação de que não pretende cometer injustiças. Avisou, no entanto, que qualquer alteração será feita "de chofre", "sem alardes preliminares, que podem colocar em risco reputação de pessoas". Mas anunciou que, "em breve", as soluções serão anunciadas, "sem alardes". O general limitou-se a explicar que "está mais perto da solução do grampo do BNDES porque está chegando a informações que lhe dão mais tranquilidade de atuar".
No Planalto, a demora na solução do grampo do BNDES está preocupando o presidente Fernando Henrique Cardoso, que tem confidenciado a auxiliares que não aguenta mais ver esse assunto se arrastar por mais de um ano. Fernando Henrique quer uma integração entre todas as áreas do governo, por exemplo inteligência e Ministério da Justiça, para descobrir quem pôs o grampo no BNDES e o que tem mais nessas fitas. O presidente quer acabar de vez o que está sendo considerado um pesadelo.
Hoje, durante solenidade de condecoração dos funcionários, no Planalto, Alberto Cardoso deu os primeiros sinais de que as mudanças estão próximas. No discurso, o general assegurou que muitas críticas que são feitas à área de inteligência do governo "não são" e "sequer serão respondidas".
"Lidamos, nesta área de inteligência, com assuntos sigilosos, em sua maioria", argumentou o general, acrescentando que "não estranhem as pessoas se continuar o titular do órgão silente diante de algumas críticas no que dizem respeito à área de inteligência". "Temos de manter essa atitude de discrição, que é normal e até essencial para o desempenho das atribuições"
afirmou.
Segundo o general, "aqueles que esperam soluções para alguns defeitos terão, em breve, essas soluções asseguradas e efetivadas, sem alardes preliminares, que podem colocar em risco a reputação de pessoas". Para Alberto Cardoso, "muitas vezes, há cobranças justas feitas para sanar algumas irregularidades, alguns defeitos, que são herdados de sistemas antigos". Ele justificou: "Mas as soluções não podem ir sendo informadas na medida em que vão sendo elaboradas." "Elas têm de ser informadas de chofre, quando as decisões são tomadas, ainda mais porque temos uma verdadeira obsessão em não sermos injustos com as pessoas", prosseguiu o general, no discurso.
O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional reconheceu que as cobranças aumentarão neste novo cargo. "Terei responsabilidades formais, mais marcantes e, portanto, serei mais cobrado, ainda que já viesse desempenhando tais atribuições", completou o general.

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