Alberto Cardoso diz que está disposto a depor
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quinta-feira, 23 de setembro de 1999
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 24 (AE) - O ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, avisou hoje que está à disposição do Ministério Público (MP) para esclarecer os motivos e em que circunstâncias aconteceu o encontro entre ele e o ex-policial Célio Rocha. Neste encontro, Rocha teria feito revelações sobre a escuta clandestina instalada no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), durante o processo de privatização do Sistema Telecomunicações Brasileiras (Telebrás).
"Eu tenho de depor, é claro", afirmou Cardoso, ao reconhecer que o papel da Justiça é esse mesmo. Segundo o general, o depoimento é necessário na medida em que surgiu um fato novo: o encontro com o ex-policial. Esse fato, de acordo com o general, gerou um outro: a operação no Rio, ordenada por ele, em que Rocha foi usado como isca para obter declarações do funcionário da inteligência do governo, Temilson de Resende, o "Telmo". Ele ele teria participado da instalação do grampo do BNDES. A operação não teve prosseguimento, no entanto, por causa do vazamento de informações sobre essa estratégia.
De acordo com o general, a busca de informações sobre o envolvimento de funcionários com escutas clandestinas o levaram a procurar o ex-policial. "Tenho todo o interesse em esclarecer tudo, o mais rápido possível", afirmou o general, acrescentando que, na conversa com Rocha, num hotel em Brasília, em 17 de agosto, o ex-policial lhe forneceu uma série de nomes e dados sobre operações de escuta no Rio, todas sem comprovação.
Este será o segundo depoimento de Cardoso à Justiça. Na primeira quinzena de abril, o general foi ouvido, no gabinete, em Brasília, por um funcionário da Polícia Federal (PF) e um do Ministério Público Federal. Naquele momento, ele esclareceu as circunstâncias em que o Setor de Operações da Subsecretaria de Inteligência encontrou as fitas com as escutas no BNDES. O MP queria confrontar as declarações do general com as do chefe do escitório da inteligência no Rio, João Guilherme Maia, sobre as fitas grampeadas e questionar a informação de que as duas fitas recolhidas pelo governo com as gravações no BNDES realmente foram encontradas sob um viaduto, em Brasília.
"Cinematográfica ou não, esta é a verdade (sobre o local onde foram encontradas as fitas)", insistiu o general, ao sair em defesa do coordenador de Operações da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Gerci Firmino da Silva, que poderá ser indiciado por falso testemunho, uma vez que a polícia afirma que tem elementos que apontam falhas na versão de que as fitas foram encontradas sob o viaduto. "Ele é absolutamente confiável", defendeu Cardoso, alegando que não tem qualquer motivo para desconfiar de Silva. Para o general, "falta pouco" para se chegar a muitas elucidações sobre o caso.


