Brasília, 27 (AE) - O general Alberto Cardoso decidiu hoje pedir licença do Exército pelo período de dois anos para poder permanecer à frente do Gabinete de Segurança Institucional
cargo de natureza civil, órgão que substituiu o Ministério da Casa Militar da Presidência da República. No fim de semana, Alberto Cardoso informou ao presidente Fernando Henrique Cardoso que havia decidido agregar à Força - nome técnico dado à licença especial - e, hoje, comunicou aos subordinados, durante cerimônia de condecoração dos funcionários do gabinete dele realizada no Palácio do Planalto.
Na semana passada, ao ser informado de que o presidente queria que fossem ultimados os estudos com as mudanças, Alberto Cardoso havia pensado em pedir transferência para a reserva.
Aconselhado por amigos e até pelo presidente, o general repensou e optou por uma decisão menos radical, que o impediria de retornar à ativa.
"Não queimei navios", comentou o general, ao repetir um jargão militar que significa que a decisão tomada pode ser revertida.
Agregado, o general poderá ficar no cargo de ministro por dois anos. Ao fim desse período, ou a qualquer tempo, pode retornar ao Exército, sem prejuízo para a carreira. "Agora, é página virada, só vou voltar a pensar nisso depois", comentou o general, ao afirmar que estará completamente dedicado às funções na Presidência.
Alberto Cardoso hoje ocupa o posto de general-de-divisão
com três estrelas. A turma dele, de 1962, só começará a concorrer ao posto de general-de-Exército, último da carreira militar, em 2002, último ano do governo Fernando Henrique. Dessa forma, quando completar os dois anos fora da Força, em setembro de 2001, Alberto Cardoso não estará ainda concorrendo à quarta estrela. De qualquer forma, de acordo com a legislação, para que o general possa concorrer às promoções, teria de deixar o Gabinete de Segurança Institucional e retornar à Força.
O general explicou aos funcionários a mudança de nomenclatura do cargo e as novas atribuições. Esclareceu ainda que, apesar do novo gabinete não mais fazer a ligação com as Forças Armadas - assumido pelo Ministério da Defesa -, poderá oferecer assessoramento pessoal ao presidente, em assunto militar, que FHC peça. Segundo o general, o substituto dele legal será o subchefe militar.

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