Alberto Cardoso decide futuro no fim de semana
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quinta-feira, 23 de setembro de 1999
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 24 (AE) - Somente no fim de semana, o ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, decidirá se deixará o Exército para permanecer à frente do novo Gabinete de Segurança Institucional, cargo de natureza civil, ou se pedirá uma licença de dois anos do serviço ativo. Hoje, mais uma vez, o presidente Fernando Henrique Cardoso pediu a Alberto Cardoso que reconsidere a decisão inicial de abdicar da carreira militar e que se limite a pedir o afastamento temporário da Força. O presidente conta com Alberto Cardoso na nova pasta e, por ele, o general permaneceria no serviço ativo, mas agregado.
Para o general, essa questão de carreira "é secundária" e "o que importa é a missão". "Vejo que a missão da minha vida está aqui", afirmou o general, ao falar sobre a disposição de se "enfronhar no combate ao narcotráfico e de criar um sistema de inteligência confiável". "Estou absolutamente mergulhado nisso", confessou o general. Alberto Cardoso explicou que a alteração do Ministério da Casa Militar para Gabinete de Segurança Institucional é fundamental por causa da criação do Ministério da Defesa. Ele lembrou que as funções tradicionais da Casa Militar foram alteradas e o órgão ganhou novas atribuições, crescendo muito e, portanto, precisava ser reestruturado. "A Casa Militar não faz mais a interface entre a Presidência da República e os ministérios militares", avisou o general. Para ele, não pode pairar dúvidas para a sociedade de que o Ministério da Defesa é que vai ser o elo com as Forças Armadas e o nome Casa Militar atrapalhava isso.
Segundo Alberto Cardoso, a nova secretaria vai cobrir um vazio que existia na Presidência da República desde que foi extinta a Secretaria do Conselho de Segurança Nacional (CSN). Era preciso um órgão que pensasse em segurança do Estado, que não pode ser confundida com segurança do Brasil, que é feita pelos comandos militares, vinculados ao Ministério da Defesa. "Não posso nem quero ter estrutura da secretaria do CSN", disse o general, explicando que esse órgão irá contribuir com estudos, por exemplo, em questões relevantes, como de meio ambiente e temas sociais, potenciais geradores de crise, sempre enfocando a segurança do Estado e da sociedade.
Esses temas serão estudados pela Secretaria de Acompanhamento e Estudos Institucionais, recém-criada, e vinculada ao novo Gabinete de Segurança Institucional. O novo gabinete terá a ele vinculado ainda a Secretaria de Inteligência
a Subchefia Militar, que cuida da segurança do presidente, da família dele e das instalações presidenciais, e a Secretaria Nacional Antidrogas. A medida provisória (MP) que altera a estrutura da Casa Militar e cria o novo gabinete será assinada por Fernando Henrique no início da próxima semana.


