Brasília, 13 (AE) - O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Alberto Cardoso, disse hoje que nunca quis a Polícia Federal (PF) sob o comando da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad).
Para ele, as crises que têm surgido são "artificiais" e o episódio da queda do ministro da Justiça, José Carlos Dias, e do secretário nacional Antidrogas, Wálter Maierovitch, não o deixam nem mais forte, nem mais fraco porque "assessores não têm poder". "Eu não estou lá para ser forte ou fraco; estou lá para trabalhar, para ajudar o presidente e ajudar o Brasil", acrescentou.
Em seguida, afirmou que "aquele que achar que é forte corre o risco de se decepcionar no primeiro passo". Cardoso avisou que será difícil encontrar um substituto para o juiz Walter Maierovitch, ex-secretário nacional Antidrogas. Ele não confirmou a juíza Denise Frossard para a Senad, mas lembrou que "é um bom nome". Cardoso disse que é "amissíssimo" do ministro da Justiça, José Gregori. Ele afirmou que não vai responder aos ataques do ex-ministro da Justiça José Carlos Dias e garantiu que o episódio é "página virada".
A seguir, os principais pontos da entrevista do general: Pergunta - Com essa nova crise, a PF voltou a dizer que o sr. quer a levar para o seu gabinete, para a Senad, e acha que o sr. quer mandar nela. Alberto Cardoso - Não acha mais. As relações com a PF estão excelentes. O dr. Agílio (Agílio Monteiro Filho, diretor-geral da PF) entendeu perfeitamente a missão da Senad, como a Senad sempre entendeu perfeitamente a missão da PF. Nós já conversamos e o dr. Agílio disse uma coisa que eu concordo: a Senad não existe sem a Polícia Federal e a Polícia Federal sem a Senad não tem a sua atuação otimizada. Pergunta - Qual é o papel da Senad, que não está claro? Cardoso - A Senad veio para ocupar um espaço que ninguém ocupava. É o espaço da coordenação, inclusive na repressão. A Polícia Federal é um braço policial do governo federal na repressão ao narcotráfico. Ninguém pode fazer nada melhor do que ela faz. Agora, a Senad coordenará todas as operações em que a PF não estiver isolada. Pergunta - As críticas que a Senad recebeu da PF e do Ministério da Justiça por causa dos problemas na Operação Mandacaru (de combate ao narcotráfico na região do Polígono da Maconha, em Pernambuco), o sr. acha que não vão mais acontecer? Cardoso - Isso é página virada. Eu não vou falar no passado. Pergunta - O sr. não vai responder ao ex-ministro Dias? Cardoso - Respeito muito o ministro. É uma pessoa que tem de ser respeitada. Mas o problema é página virada. Pergunta - Mas como solucionar as disputas? Cardoso - Estão muito bem entendidos, hoje em dia, os dois papéis. A PF é o braço operacional do governo federal, na repressão ao tráfico de drogas. A Senad é o elemento de coordenação de todas as atividades de tratamento, prevenção e repressão ao narcotráfico. A Senad não tem, não precisa e não quer ter polícia. A polícia é a Polícia Federal, que está muito bem onde está. Pergunta - Mas há quem diga que o sr. quis levar a PF para o Planalto. Cardoso - Nunca quis a Polícia Federal na Senad. A Senad nunca quis a PF. Isso é uma coisa inimaginável. Essa afirmação surgiu do nada. Nunca quis. Nem as pessoas precisam estar dizendo isso a toda hora porque nunca se quis isso. Pergunta - Por que o juiz Maierovitch não deixou o cargo no mesmo dia do ministro José Carlos Dias, já que a permanência dele era impossível? Cardoso - Porque o juiz percebeu que o andamento da coisa e a presença dele ia ser muito prejudicial para esse trabalho. Ele é um homem excepcional. Pergunta - Mas por que ele não saiu então naquela noite? Cardoso - Ele já estava pensando. Desde o início, ele estava pensando. Maierovitch, ao longo desse tempo todo, ele sempre colocou o cargo dele à disposição quando surgia uma dessas crises artificiais. Ele é um homem desapegado a qualquer coisa material, desapegado a cargo e tudo. Demonstrou isso agora. Pergunta - Quem vai para o cargo? A juíza Denise Frossard é um bom nome? Cardoso - Por enquanto, não está decidido. Olha, não vamos encontrar um outro Maierovitch. Eu estou lá e vou ficar acumulando até cair do céu outro nome, como caiu o do Maierovitch para nós. A juíza é um bom nome, mas não há nada decidido. Pergunta - O sr. sai enfraquecido deste episódio? Cardoso - Eu não estou lá para ser forte ou fraco. Estou lá para trabalhar, para ajudar o presidente e ajudar o Brasil. Esse conceito de assessor forte ou fraco é um conceito que as pessoas criam porque assessores não têm poder. O poder é do presidente. O povo delegou poderes ao presidente e nós somos agentes da autoridade do presidente. Somos agentes do poder. O presidente delega autoridade, não delega poder. Portanto, não existe assessor poderoso ou não poderoso. Existem assessores. Aquele que achar que é forte corre o risco de se decepcionar no primeiro passo. Pergunta - O sr. já se acertou com o dr. Gregori? Cardoso - Já, tudo. Somos amigos e estamos afinadíssimos. Pergunta - O sr. está magoado em perder a colaboração do juiz Maierovitch? Cardoso - Magoado não, triste. Ele é um grande amigo, grande homem. Eu não me magôo com acontecimentos, com pessoas. Pergunta - O presidente Fernando Henrique Cardoso fez algum pedido ao sr. em relação à Senad? Cardoso - O presidente não precisa fazer pedido para mim em circunstâncias onde já haja ordem, diretriz, porque eu sigo as ordens e as diretrizes. Pergunta - O presidente pode voltar a enfrentar problemas nas comemorações dos 500 anos de descobrimento na Bahia. Como está a questão de segurança do presidente? Cardoso - O presidente a gente leva ele e trás, incólume, a qualquer ponto, onde ele tiver de ir, onde ele quiser ir. Tudo isso, sem qualquer risco. Com manifestações ou não.

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