Albaneses privatizam indústrias estatais sérvias
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quinta-feira, 08 de julho de 1999
Por CARLO BOLLINO 
PEC, Iugoslávia, 09 (AE-ANSA) - O grande negócio de pós-guerra em Kosovo já começou e , enquanto se espera que a ONU consiga colocar em marcha a complexa máquina da adminsitração civil internacional, os albaneses se apoderam da indústria estatal sérvia radicada na província.
Três das mais importantes fábricas sérvias da cidade de Pec voltaram a funcionar com diretores e administradores albaneses, exemplo de um fenômeno que se registra em todo Kosovo.
A grande fábrica de cerveja Extra, na periferia da cidade, trabalha a pleno vapor e o complexo industrial é dirigido por Agim Neziraj, que até há poucas semanas era comandante da Brigada 133 do Exército de Libertação de Kosovo (ELK).
Sua nomeação foi feita por Ethem Ceku, "prefeito" de Pec apontado pelo chefe do governo provisório Hashim Thaqi.
A indústria produz 110.000 garrafas de cerveja por dia, mas logo chegará às 180.000. E como, até agora, é a única em atividade na província, ela recebe pedidos de várias cidades.
Também compram nessa cervejaria comerciantes da Albânia que até recentemente levavam para Kosovo mercadorias italianas e gregas, mas que agora preferem fazer o caminho inverso e vender no mercado albanês a cerveja de Kosovo, que podem importar sem pagar tarifas alfandegárias.
Em 10 dias a Extra faturou mais de US$ 500.000.
Em plena atividade também está a Fábrica de Pão, com 55 operários, que funciona 24 horas por dia com farinha garantida por um contrato com uma organização mexicana e administração albanesa.
As perspectivas para a Fábrica de Ladrilhos são ótimas. Para sua reinauguração é esperado o premier Thaqi, enquanto que o prefeito Ethem Ceku, se comprometeu a conseguir os pedidos.
Nas vitrinas dos negócios e empresas públicas iugoslavas - ou seja, sérvias - as autoridades albanesas fixaram há alguns dias cartazes com a indicação de que se tratam de "propriedade estatal".
Este expediente serve para preservá-los de saques, mas também trata-se do primeiro passo para sua apropriação.
"As casas abandonadas pelos sérvios serão estatizadas", afirma Qadri Kryeziu, "prefeito" da cidade de Prizren.
E dado que a linha política prometida vai na direção do liberalismo e da economia de mercado, o destino das propriedades sérvias estatizadas é evidente.
Uma fonte próxima a Hashim Thaqi afirmou que haverá um grande processo de privatização.
Percebe-se que a luta política interna tem como objetivo o controle deste riquíssimo setor, um gigantesco "botim de guerra" cuja difícil repartição apenas começou.


