Londrina - Sob constante ameaça de invasão por assaltantes e arrombadores, as igrejas católicas de Londrina colocaram o alarme monitorado como item prioritário na planilha de gastos.
Segundo a FOLHA apurou junto a padres que trabalham na cidade, a grande maioria dos templos já conta com o dispositivo de segurança. As mesmas fontes dizem que um número cada vez maior de paróquias também contrata vigilantes. Os padres ouvidos pela reportagem afirmam que os custos podem variar de R$ 150 a R$ 3 mil mensais. A média de gasto, no entanto, não ultrapassa R$ 300.
Procurada pela reportagem, a Mitra Diocesana não quis comentar o fenômeno tampouco revelou os valores investidos pelo conjunto das igrejas da arquidiocese. O ecônomo da Mitra e padre do Santuário Nossa Senhora Aparecida, na Vila Nova, Vandemir Alberto Araújo, disse apenas que as paróquias têm liberdade para tomar as providências necessárias para se proteger. ''Mas a Mitra não vai se manifestar sobre esse assunto''.
O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Márcio Amaro, lamenta que as igrejas sejam alvo da criminalidade, mas diz que não há nenhuma estatística ou estudo feito pela polícia para revelar o número de casos em Londrina. ''Todos estão sujeitos à criminalidade, à violência. Infelizmente, onde há algo de valor, há um criminoso à espreita. Com a igreja não é diferente. Falta um temor reverencial a Deus'', afirma.
Na Catedral, o anjo da guarda dos padres, funcionários e fiéis atende pelo nome de Santiago Moya da Silva, de 40 anos. Há 9 anos ele exerce a função de segurança da maior igreja da cidade. O prédio tem alarme monitorado e uma rede de câmeras que mostra 24 horas por dia pontos estratégicos da parte interna. ''Um ano atrás tivemos um problema pela manhã, a invasão de um indíviduo que roubou a secretária. À tarde, ele voltou, imaginou que estava fácil agir aqui, mas se deu mal. Acabamos dominando ele e entregando à polícia'', conta o segurança.
Silva diz que é preciso agir muito pouco e quando é necessário a abordagem é muito sutil. ''A igreja não é como uma loja ou um banco. Aqui é necessário muito jogo de cintura pra fazer uma abordagem. Raras são as vezes em que é necessário usar mais que o diálogo'', explica.
Outro templo considerado de grande porte na cidade, o Santuário Nossa Senhora Aparecida, na Vila Nova (Área Central), também tem monitoramento por câmeras e o acesso ao templo só é permitido mediante apresentação. Um funcionário explica que a instalação do sistema foi motivada pelo grande número de vândalos que ''visitavam'' o local.
A Paróquia Sant'Ana, que funciona junto a um condomínio fechado no extremo sul de Londrina, é considerada uma das mais seguras da região, mas nem mesmo a vizinhança abastada é capaz de deixar os frequentadores tranquilos. O templo tem alarme monitorado e um vigilante que trabalha durante o dia. ''Nunca tivemos problemas, mas estamos em uma situação privilegiada porque podemos contar com o sistema de um condomínio fechado, que inibe a ação dos criminosos'', conta o padre Manoel Joaquim Rodrigues dos Santos.
Mas Santos lembra-se bem da sua experiência anterior, na Paróquia Sagrados Corações, na esquina da Rua Mato Grosso com a Avenida Juscelino Kubistchek, no Centro. ''Lá tive perdas grandes em três assaltos. E aprendi que a igreja não está isenta da violência que assola toda a sociedade'', afirma.
O padre Romão Antonio Martins, da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, no Jardim Dom Bosco (Zona Oeste) revelou à Folha que gasta cerca de R$ 3 mil por mês com um sistema preventivo que inclui uma rede de 19 câmeras, alarme monitorado e dois vigilantes. ''Graças a Deus nunca tivemos problemas'', comemora.

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