Ala começou como reduto da velha guarda
Rio, 21 (AE) - Nos primeiros desfiles de carnaval, a comissão de frente tinha a função de apresentar a escola ao público e, se possível, adiantar alguma coisa sobre o enredo. Nem sempre a ala contava pontos, mas era uma homenagem integrá-la. Era lá que ficavam os bambas, os integrantes da velha guarda. Os componentes da comissão desfilavam de traje de gala (fraque e cartola para homens, longos e saltos para as mulheres).
Foi só depois da mudança do desfile para o sambódromo que as comissões viraram superprodução. As escolas deixaram de lado a velha guarda e as antigas diretorias das alas, contratando bailarinos e coreógrafos. Hoje todas as comissões têm um profissional de dança à frente, mesmo as formadas só por pessoas da comunidade. Sua função também mudou: a comissão serve ao desenvolvimento do enredo, como o prólogo nas óperas. Regras - Já houve comissões lendárias, como a das grávidas da Unidos de Vila Isabel, ou os bambas da MPB da Mangueira, no ano passado. Qualquer proposta é válida, obedecidas as regras da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa).
A norma é elástica. Determina apenas o número de integrantes, de 10 a 15, a obrigatoriedade de cumprimentar público e jurados e de exibir a coreografia diante das cabines de quem julga esse quesito. O resto fica a critério da imaginação dos carnavalescos. A cada ano, eles esmeram-se para surpreender o público, já que, da comissão de frente, pode depender o impacto e a receptividade que o conjunto todo terá ao longo da avenida. (B.C.S.)





