A Assembléia Legislativa do Mato Grosso do Sul realiza na próxima segunda-feira uma audiência pública para discutir a situação da reforma agrária no Estado. O deputado Paulo Corrêa (PTB) disse que requereu a audiência devido ao aumento de 45% nas invasões de terras e à falta de condições do governo em fazer cumprir os despejos judiciais.
João Bosco Leal, diretor do Movimento Nacional dos Produtores Rurais, disse ontem que existem 25 mandados de reintegração de posse não cumpridos pela Polícia Militar do Estado e que nessas fazendas os sem-terra já mataram a tiros 500 cabeças de gado. Na Fazenda Austrália em Deodápolis, Leal disse que os invasores tomaram um trator. Na fazenda Vitória do Ivinhema, no município de Novo Horizonte do Sul, o líder rural disse que os sem-terra recusaram deixar a propriedade durante a reintegração de posse. Há 14 mandados de reintegração não cumpridos que foram expedidos o ano passado.
O secretário da Segurança do Estado, Franklin Masrhua, pediu prazo para tentar uma saída pacífica dos acampados. Ele alega que a polícia não dispõe de pessoal treinado, nem equipamentos especiais para promover um despejo com uso de força. Por causa disso, há quatro pedidos de intervenção federal no Estado, solicitados por fazendeiros do Mato Grosso do Sul, e que estão em apreciação no Tribunal de Justiça.
A Federação dos Trabalhadores na Agricultura reúne mais de 80% dos 40 mil acampados no Mato Grosso do Sul. Eles querem lotes de reforma agrária. Em 95 eles eram pouco mais de 5 mil pessoas. A Superintendência do Incra em Campo Grande informou que a previsão desse ano é assentar 2 mil famílias, ou apenas 18% dos que estão acampados.

mockup